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Chanceler Mauro Vieira classifica falas de Milei como ríspidas e exige explicações

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou em 27 de julho de 2026 que as manifestações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL realizada no último sábado (25), foram ríspidas, grosseiras e inaceitáveis. O chanceler informou que o governo brasileiro solicitará explicações formais sobre as críticas proferidas em território brasileiro.

Vieira afirmou à TV Globo que considera grave a postura adotada pelo chefe de Estado argentino e que Brasília aguarda esclarecimentos das autoridades de Buenos Aires a respeito dos motivos que levaram Milei a fazer tais declarações no Brasil.

Apesar da severidade do episódio, o ministro descartou, por ora, medidas diplomáticas mais duras, como a retirada de embaixadores, reiterando a necessidade de preservar canais de diálogo entre os dois países.

O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para registrar a repulsa do governo brasileiro e cobrar explicações. Paralelamente, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a prestar informações sobre o andamento das relações bilaterais.

No discurso de aproximadamente meia hora, em espanhol, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de presidiário e se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, como lixo careca. Também declarou que a América Latina vive um avanço de governos de direita e vinculou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro a esse movimento.

Mesmo diante da tensão diplomática, Brasil e Argentina mantêm forte parceria econômica. A Argentina figura como o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China e Estados Unidos. No último ano, as exportações brasileiras para o mercado argentino somaram US$ 18,1 bilhões, crescimento de 31,4% em relação ao período anterior, o que elevou a participação argentina nas vendas externas do Brasil para 5,2%, a maior desde 2018.

Os setores mais beneficiados foram o automotivo – com destaque para carros de passeio, veículos de carga, autopeças e acessórios – e a indústria de transformação, impulsionada pelo aumento da demanda do país vizinho. Esse desempenho contribuiu para atenuar os efeitos da desaceleração econômica e do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Com informações de Gazeta do Povo

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