Articulações iniciadas em 2024 colocam o deputado federal Alexandre Guimarães (MDB-TO) no centro da disputa pelas duas vagas ao Senado que o Tocantins terá em 2026. Com apoio do governador do Pará, Helder Barbalho, e do ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, Guimarães assumiu a direção estadual do MDB e passou a ser apresentado pela cúpula nacional do partido como principal aposta da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter o avanço da direita na Casa.
Em julho de 2024, o parlamentar confirmou um evento em Palmas destinado a reforçar seu palanque, com presenças anunciadas do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, das ministras Simone Tebet e Renan Filho, do ministro Jader Filho, do deputado Isnaldo Bulhões e de Helder Barbalho.
Do outro lado, a oposição trabalha para transformar o estado em reduto conservador no Senado. A estratégia inclui a tentativa de reeleição do senador Eduardo Gomes (PL) e a busca da segunda cadeira por nomes como os deputados federais Carlos Gaguim (União Brasil) e pastor Eli Borges (Republicanos), além do ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (Podemos). O grupo também acompanha o cenário que envolve a senadora Professora Dorinha (União Brasil); caso ela dispute e vença o Governo do Estado, sua vaga será assumida pela suplente Lucineide Parizi Freitas, a Professora Lu (União Brasil), garantindo mais um voto à bancada bolsonarista.
Para a base governista, a eventual vitória desse bloco entregaria ao campo conservador todos os assentos tocantinenses na Alta Câmara, facilitando pautas como a cassação de ministros do Supremo Tribunal Federal e outras iniciativas consideradas extremas pelo Planalto.
Nesse contexto, além de Guimarães, o PT aposta no ex-senador Paulo Mourão como nome competitivo. A presença de ambos na corrida é vista como forma de preservar ao menos uma cadeira alinhada ao Palácio do Planalto.
Aliados de Guimarães listam três motivos para a candidatura: a possibilidade de impedir a formação de maioria qualificada de 54 votos que viabilizaria processos contra ministros do STF, a defesa de um discurso municipalista voltado a investimentos em infraestrutura urbana com interlocução direta no Ministério das Cidades e a habilidade de diálogo com o agronegócio sem adesão ao radicalismo político.
Dirigentes do MDB avaliam que, caso Eduardo Gomes, Carlos Gaguim ou Eli Borges conquistem as vagas e a suplente Professora Lu assuma o posto de Dorinha, o Tocantins passará a apoiar integralmente a pauta oposicionista no Senado, resultado classificado como ameaça à governabilidade.
Com esse diagnóstico, a eleição de Alexandre Guimarães foi elevada a prioridade nacional para o entorno de Lula, que busca garantir um ponto de equilíbrio no estado e evitar hegemonia conservadora na representação tocantinense.
Com informações de Atitude Tocantins
