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Abstenção no primeiro turno de 2026 atinge 21,08% e é a maior desde 1998

O primeiro turno das eleições de 2026 registrou ausência de 33,4 milhões de eleitores neste domingo, 4 de outubro, levando a taxa de abstenção a 21,08% com 99,99% das urnas apuradas às 0h1 desta segunda-feira, 5. O índice supera os 20,95% verificados em 2022 e estabelece o maior patamar desde 1998.

Dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar, Mato Grosso do Sul concentrou a maior proporção de ausentes, com 23,87%, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Ceará apresentou o menor número, com 15,52%. Os votos em branco corresponderam a 1,84% e os nulos somaram 2,93%.

A escalada da abstenção se mantém desde 2006. Depois do recuo para 16,75% naquele ano, os percentuais avançaram para 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022. Em 2014, mais de 27,6 milhões de pessoas deixaram de comparecer às urnas. Em comparação com 2022, o pleito de 2026 registrou aumento de 0,13 ponto percentual, equivalente a aproximadamente 700 mil eleitores adicionais fora das seções.

O cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getulio Vargas, atribui o crescimento ao desânimo e ao descrédito dos eleitores, afirmando que as candidaturas tiveram dificuldade para mobilizar o público. Na avaliação do pesquisador, a disputa entre os grupos de Luiz Inácio Lula da Silva e da família Bolsonaro aborda temas considerados distantes das preocupações cotidianas, o que afastaria parte do eleitorado. Ele também aponta rejeição simultânea a ambos os campos, obstáculos práticos como distância até a seção, custos de transporte, falta de tempo, problemas de acesso em áreas remotas e eventos climáticos, além do envelhecimento do eleitorado, já que o voto é facultativo para pessoas acima de 70 anos.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Historicamente, a abstenção aumentou no confronto final até 2018, quando passou de 18,12% para 21,5% em 2010, de 19,39% para 21,1% em 2014 e de 20,33% para 21,3% em 2018. Em 2022, porém, a taxa caiu de 20,95% para 20,59%. Para 2026, o cenário inclui a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e a escolha de governadores em Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal. Conforme Grin, a polarização pode incentivar participação semelhante ao movimento observado em 2022, dependendo das estratégias de campanha e de eventos que ocorrerem nos 21 dias que separam as votações.

Com informações de Gazeta do Povo

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