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Lula diz carregar “promiscuidade” atribuída ao STF após ficar atrás no 1º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, que carrega nas costas o que classificou como promiscuidade instaurada na Suprema Corte brasileira. A manifestação ocorreu em reunião com a coordenação de campanha, horas depois de o petista terminar o primeiro turno da eleição presidencial atrás de Flávio Bolsonaro (PL). O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Lula disse ver sua candidatura como a única de perfil antissistema e avaliou que enfrenta, além da disputa eleitoral, o impacto das denúncias que envolvem o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele voltou a defender uma reforma no Judiciário e questionou qual deveria ser o papel da sociedade na escolha de ministros da Corte, negando que a decisão deva atender a interesses do presidente da República, do Congresso Nacional ou do poder econômico.

No terceiro mandato, Lula indicou ao STF o advogado Cristiano Zanin, que o representou em processos da Lava Jato, e o ex-ministro da Justiça Flávio Dino. Também chegou a nomear o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas a indicação foi rejeitada pelo Senado. Segundo o presidente, é necessário discutir critérios de nomeação e a possibilidade de mandatos para os ministros, ressaltando que ninguém está acima da lei.

Durante a reunião, Lula afirmou que, nos 20 dias restantes de campanha, pretende expor o que considera estar por trás da eventual eleição de um possível herdeiro do fascismo no país. Ele disse não enxergar motivos econômicos, sociais ou políticos que impeçam sua vitória no segundo turno e confirmou presença nos debates.

O STF enfrenta crise interna desde 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Em resposta, Moraes utilizou relatórios de inteligência da PF para questionar a atuação de Mendonça nos casos Master e INSS, defendendo que o colega fosse investigado. A troca de ofícios e liminares culminou em sessão no dia 15 de setembro, marcada por discussões e sem definição sobre eventual investigação contra Moraes. Às vésperas do primeiro turno, decisões divergentes entre STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ampliaram o impasse. Antes da votação, a campanha petista tentou se afastar da crise, e Lula declarou que todos os ministros relacionados a Vorcaro deveriam ser investigados.

Na esfera parlamentar, o PL elegeu 19 senadores e 121 deputados federais. Senadores alinhados à direita apontam o impeachment de ministros do STF como principal pauta. Entre outras movimentações políticas e econômicas registradas após o primeiro turno, o ex-presidente Michel Temer declarou apoio a Flávio Bolsonaro, a Bolsa de Valores atingiu recorde histórico e o dólar recuou, enquanto o PL reforçou a bancada na Câmara e busca ampliar influência, embora o Centrão permaneça decisivo.

Com informações de Gazeta do Povo

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