A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso e proprietário do liquidado Banco Master, protocolou novo pedido para postergar seu depoimento à Polícia Federal na investigação que apura possíveis irregularidades nas transações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A oitiva está marcada para a próxima terça-feira, 15, e também deverá tratar da contratação de perfis em redes sociais supostamente usados para atacar o Banco Central.
Este é o segundo adiamento solicitado. A audiência havia sido inicialmente prevista para o fim de agosto. Na quinta-feira, 10, os advogados apresentaram novo requerimento, alegando não ter recebido acesso integral aos documentos necessários para preparar a defesa.
Os defensores informaram que já consultaram o processo no sistema do Supremo Tribunal Federal, mas enfrentam limites técnicos para analisar o conjunto de provas. Segundo eles, o procedimento reúne 937 peças, algumas com até 5 mil páginas, e a plataforma impede o download em bloco, exigindo a abertura individual de cada arquivo.
A banca também afirmou que não estão disponíveis no sistema as mídias dos depoimentos já colhidos nem os materiais obtidos por quebras de sigilo, o que, de acordo com a defesa, inviabiliza o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
A investigação contempla a transferência de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do Master ao BRB entre janeiro e maio de 2025. O inquérito examina ainda uma operação com a empresa Tirreno, que teria sido usada pelo banco de Vorcaro para simular a compra de carteiras de crédito depois repassadas ao banco estatal.
Conforme a apuração, os repasses continuaram mesmo após alertas formais do Banco Central sobre a ausência de lastro e a fragilidade dos ativos. Há, ainda, suspeitas de que imóveis de alto padrão tenham sido oferecidos como propina ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para viabilizar a aquisição do Master.
Outros depoimentos também foram adiados. A oitiva de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, prevista para julho, segue sem nova data, e o interrogatório do senador Jaques Wagner (PT-BA), marcado para a mesma semana, foi igualmente postergado a pedido da defesa.
Com informações de Gazeta do Povo
