Relatório da Polícia Federal revela que o empresário Daniel Vorcaro manteve relação de proximidade com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, incluindo encontros particulares, benefícios de luxo e contratos de alto valor com o escritório de advocacia da esposa do magistrado.
De acordo com dados extraídos do celular de Vorcaro, a aproximação direta começou em dezembro de 2023, mediada pelo ex-ministro Fábio Faria. Antes de qualquer vínculo formal, o empresário já frequentava residências privadas do ministro e promovia almoços sofisticados, como o realizado em Campos do Jordão, quando disponibilizou chef particular e motoristas para atender Moraes e seus convidados.
A investigação aponta que a família do ministro recebeu diversas vantagens custeadas pelo empresário. Entre elas, um contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes, prevê honorários mensais de R$ 3 milhões, além de um acordo estimado em R$ 40 milhões que incluía acesso a jatos executivos e helicópteros. Metadados mostram que o próprio ministro revisou minutas desses documentos. Também foram identificados ingressos VIP para eventos esportivos destinados aos filhos do magistrado e veículos blindados com motoristas exclusivos durante compromissos internacionais.
As mensagens recuperadas indicam tratamento informal e afetuoso. Vorcaro chamava Moraes de “meu caro”, “Alexandre” e “Alex”, e manifestou “gratidão de vida”, afirmando que sua família e funcionários teriam dívida eterna com o ministro. Em outro momento, ao temer ser alvo de operação policial, o ex-banqueiro solicitou orientação a Moraes sobre a possibilidade de deixar o país, encaminhando capturas de notas confidenciais.
O caso provocou divergência no Judiciário. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defende a anulação das investigações sob o argumento de que o ministro relator, André Mendonça, não poderia determinar apuração contra colega do STF sem autorização do plenário ou solicitação prévia do Ministério Público. Mendonça submeteu o pedido de investigação ao plenário da Corte, permitindo que os ministros decidam coletivamente sobre a continuidade das apurações, mesmo diante da posição contrária da PGR.
Com informações de Gazeta do Povo
