','

'); } ?>

Metadados apontam edição de Alexandre de Moraes em contrato de R$ 131,2 milhões entre Banco Master e escritório de Viviane Barci

Metadados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, abriu e modificou uma versão do contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o liquidado Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. A informação, divulgada em 1.º de setembro de 2026 pelos jornais Estadão e O Globo, foi confirmada pelo próprio escritório de Viviane, que relatou o acesso e a edição do documento pelo ministro.

Segundo a investigação da Polícia Federal (PF), o escritório foi contratado para representar o Banco Master sempre que solicitado. O acordo inicial previa repasse de R$ 129 milhões, valor posteriormente ajustado. A contratação estabeleceu 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, totalizando R$ 108 milhões líquidos e R$ 131,2 milhões brutos, sem incidência de impostos.

O contrato começou a ser negociado em 11 de janeiro de 2024, quando Viviane enviou a minuta a Vorcaro pelo WhatsApp. Em 15 de janeiro, às 23h04, uma conta do Office 365 identificada como “Ministro Alexandre de Moraes” registrou abertura e alteração do arquivo, cerca de 1 h 40 min após o retorno do documento pelo ex-banqueiro. O autor original constava como Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes. A versão final foi remetida por Viviane em 17 de janeiro; o contrato foi assinado em 23 de janeiro, com envio digital em 24 de janeiro para conclusão das assinaturas eletrônicas.

Os pagamentos iniciaram em fevereiro de 2024 e foram interrompidos depois da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado mostram que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025, distribuídos em 22 transferências próximas de R$ 3,6 milhões cada.

Antes da edição atribuída a Moraes, a equipe jurídica de Vorcaro efetuara ajustes no contrato por meio do advogado Leonardo Palhares, alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em março de 2026. Essa etapa investigou suposto suborno a servidores do Banco Central para prestação de informações e consultoria ao ex-banqueiro. Vorcaro foi novamente preso nessa fase e permanece detido, após ter duas propostas de delação premiada rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República por não apresentarem dados além dos já apurados.

O envolvimento de Moraes adicionou pressão sobre o STF. Paralelamente, o ministro Dias Toffoli passou a constar das investigações devido a participação societária em um resort negociado por familiares de Vorcaro. Diante desses episódios, o presidente da Corte, Edson Fachin, apresentou proposta de código de ética para restringir relações dos magistrados com entes privados; Moraes e Toffoli apontaram que as normas atuais seriam suficientes.

Em nota, o escritório Barci de Moraes informou que o setor de compliance consultou Alexandre de Moraes, na condição de cônjuge da sócia diretora, sobre possíveis impedimentos legais. Afirmou que, como não havia processo do Banco Master sob relatoria do ministro ou participação dele em julgamentos de interesse do cliente, o contrato foi firmado e os serviços, prestados.

A defesa de Vorcaro e o gabinete do ministro no STF foram procurados pela reportagem da Gazeta do Povo e não responderam até a publicação.

Com informações de Gazeta do Povo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *