A duas semanas do Dia da Independência, a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) intensifica a organização de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, planejada para servir como demonstração de capacidade de mobilização do presidenciável. O evento, de caráter partidário e eleitoral, busca transferir para o senador o engajamento popular que acompanhou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para reunir apoiadores, foi criada uma comissão formada por líderes evangélicos que atuará paralelamente ao núcleo político. A estratégia substitui a centralização das últimas mobilizações no pastor Silas Malafaia e amplia a participação de denominações como Assembleia de Deus Missão, Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Igreja do Evangelho Quadrangular e Sara Nossa Terra. O objetivo é converter o apoio dessas igrejas em presença expressiva no ato.
O diretório paulista do PL assume a condução da organização. Malafaia opta por não coordenar o evento por considerá-lo essencialmente eleitoral, mas mantém apoio declarado a Flávio e afirma que continuará a utilizar as redes sociais em favor do candidato. A mudança transfere à campanha a responsabilidade de demonstrar protagonismo próprio na mobilização de rua.
A expectativa dos organizadores não é repetir as maiores multidões reunidas pelo ex-presidente, porém superar a estreia da campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde estimativas indicaram cerca de 9 mil participantes. O resultado em São Paulo é visto internamente como decisivo para mostrar avanço após o início considerado modesto.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve subir ao palanque, convite articulado pelo coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN). Além de principal aliado de Flávio no estado, Tarcísio aparece como figura de peso por governar a unidade federativa que abriga o ato. Ele reafirma identificação com Jair Bolsonaro e argumenta que um eventual governo de Flávio facilitaria o alinhamento entre Palácio dos Bandeirantes e Planalto, embora mantenha posições próprias em alguns temas.
A escolha da Avenida Paulista tem valor simbólico para a direita, cenário de manifestações de grande porte desde 2015. Antes de São Paulo, Flávio iniciou a campanha em Copacabana e visitou Juiz de Fora (MG), em movimento que reproduz trajetórias do pai em 2018. No plano de marketing, a presença de público na Paulista pretende contrastar com a cerimônia oficial do 7 de Setembro em Brasília, conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), oferecendo à oposição uma vitrine de adesão popular.
Com informações de Gazeta do Povo
