A Polícia Federal investiga um grupo ligado a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sob suspeita de tentar intermediar a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde por R$ 626 milhões. A apuração, registrada em 21 de agosto de 2026, indica possível tráfico de influência e lobby ilegal.
De acordo com o inquérito, o plano exploraria a chamada “judicialização da saúde”, situação em que decisões judiciais obrigam a União a fornecer medicamentos fora da lista do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora o canabidiol não esteja incorporado ao SUS, ordens judiciais frequentemente determinam sua compra para tratamentos de autismo ou depressão. A proposta obtida pelos investigadores sugeria que o ministério faria uma única aquisição de grande volume para atender a futuras determinações judiciais, totalizando o valor de R$ 626 milhões.
O foco principal da investigação recai sobre Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo, o “Careca do INSS”. Mensagens analisadas pela Polícia Federal revelam contatos do trio com figuras próximas ao governo, como o então chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e o ex-secretário-executivo da Saúde Swedenberger Barbosa. Entre os indícios levantados, constam registros de que Roberta Luchsinger teria adquirido joias para Marcola.
Os autos também mencionam uma viagem de Lulinha a Portugal, em novembro de 2024, custeada por Camilo. Na mesma data, o empresário tratou de um projeto industrial relacionado à produção de cannabis medicinal no país europeu. A defesa de Lulinha afirmou que a viagem teve motivação pessoal, pois um parente dele utiliza a substância para fins terapêuticos. Roberta Luchsinger declarou que o deslocamento tinha o mesmo objetivo e negou qualquer negociação de contratos com o governo federal.
O Ministério da Saúde informou que não considera a contratação de canabidiol, ressaltando que o composto não faz parte da lista de medicamentos do SUS e que não houve discussão para oferta ampla na rede pública. Os advogados de Lulinha e Roberta Luchsinger negaram irregularidades, alegaram inexistência de vínculo empresarial entre os dois e classificaram a investigação como perseguição política. Segundo as defesas, a minuta de contrato não chegou a avançar dentro da pasta, e os valores pagos a Roberta referiam-se a consultorias legais.
Não há, até o momento, confirmação de que o negócio tenha sido efetivado, e as investigações seguem em curso.
Com informações de Gazeta do Povo
