O retorno de Cleitinho Azevedo (Republicanos) à disputa pelo governo de Minas Gerais levou Flávio Bolsonaro (PL) a buscar uma fórmula que preserve a união da direita no estado enquanto sustenta o palanque próprio do partido com o empresário Flávio Roscoe (PL). A orientação do presidenciável é evitar confrontos entre os dois postulantes e manter a possibilidade de uma composição no segundo turno.
Mesmo após o Republicanos liberar Cleitinho para concorrer, o PL manteve Roscoe na corrida estadual, decisão tomada depois de semanas sem garantia sobre a permanência do senador. Dirigentes da campanha admitem que a indefinição do Republicanos alterou alianças locais e pode impactar a eleição presidencial. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e, desde 1989, vota majoritariamente no candidato que vence o Palácio do Planalto.
Pesquisas internas reforçam a cautela. No levantamento Quaest mais recente, Luiz Inácio Lula da Silva apareceu com 38% das intenções de voto no estado em um eventual segundo turno, ante 35% de Flávio Bolsonaro, diferença dentro da margem de erro. Para o governo mineiro, a mesma pesquisa indicou Cleitinho com 35% no primeiro turno, enquanto Roscoe registrou 2%. O estudo mostrou ainda que 75% dos entrevistados não conhecem o candidato do PL, percentual que cai para 34% no caso do senador do Republicanos.
Roscoe, em sua primeira campanha eleitoral, afirma que sempre esteve disponível e que não pretende transformar a candidatura em contraponto a Cleitinho. No PL, a recomendação é manter diálogo durante o primeiro turno; aliados relatam que Flávio Bolsonaro e Cleitinho conversaram após a reviravolta e combinaram apoio mútuo a quem avançar à próxima fase da eleição.
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, argumenta que a apresentação de dois nomes não inviabiliza a manutenção de pontes entre as siglas. Ele avalia que ambos podem disputar a preferência do eleitorado de direita sem tornar o embate irreversível.
A volta de Cleitinho ocorreu após decisões divergentes dentro do Republicanos. O partido chegou à convenção nacional sem oficializá-lo, e o senador anunciara desistência ao lado do presidente da legenda, Marcos Pereira. No dia seguinte, recuou e passou a pressionar pela candidatura até obter, em reunião com Pereira e Euclydes Pettersen, presidente estadual da sigla, a retirada do veto. O senador reconheceu erros no processo, pediu desculpas e assumiu compromisso de seguir na disputa.
O PL, entretanto, optou por não retirar Roscoe. Dirigentes mencionam risco jurídico quanto ao registro da chapa do Republicanos, formalizado após o prazo das convenções. Flávio Bolsonaro declarou que não poderia ficar sem palanque em Minas. Marinho acrescentou que o partido aguardou Cleitinho até o limite, mas alterou a estratégia diante do impasse.
Em pronunciamento no Senado em 11 de agosto, Cleitinho alegou que adversários planejam judicializar a candidatura e assegurou que permanecerá na eleição, mesmo diante de eventuais ações. O prazo para registro das chapas termina no sábado, 15.
No PL, a expectativa é de crescimento de Roscoe com o início oficial da campanha. A legenda pretende associar a imagem do empresário à do presidenciável, com a primeira visita de Flávio ao estado marcada para a segunda-feira, 17, em Juiz de Fora e Belo Horizonte, onde será lançado oficialmente o candidato ao governo.
Roscoe sustenta que múltiplas candidaturas da direita não prejudicarão a campanha nacional e afirma que o lema será “Minas é Flávio”. Além disso, o partido investe na postulação do deputado Domingos Sávio ao Senado e planeja eleger ao menos 18 deputados federais em Minas, apostando no desempenho de Nikolas Ferreira como principal puxador de votos.
A pesquisa Quaest citada entrevistou 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho de 2026, foi contratada pelo Banco Genial S/A, apresenta nível de confiança de 95%, margem de erro de três pontos percentuais e está registrada sob os números MG-03490/2026 e BR-09333/2026.
Com informações de Gazeta do Povo
