A Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) apresentou uma análise que associa ondas de calor e frio intenso ao crescimento de complicações cardiovasculares. O trabalho, divulgado no congresso anual da Associação Europeia de Cardiologia Preventiva (EAPC), avaliou registros de mais de 8 milhões de pessoas na Polônia entre 2011 e 2020 e contabilizou 573 mil ocorrências cardiovasculares e cerebrais graves.
De acordo com os resultados, períodos de calor extremo estiveram ligados a aumento de 7,5% nas complicações cardíacas e a elevação de 9,5% nas mortes. Ondas de frio também mostraram impacto relevante: o risco de eventos cardiovasculares subiu de 4% para 5,9%, enquanto os óbitos passaram de 4,7% para 6,9%, com efeitos descritos como mais tardios e prolongados em relação ao calor.
A análise indicou ainda que a exposição a poluentes atmosféricos correspondeu a 13% das mortes por complicações cardiovasculares. Os pesquisadores observaram que fenômenos climáticos extremos se tornaram mais frequentes e intensos, ampliando os riscos especialmente entre mulheres, grupo em que o perigo foi cerca de 5% maior, e pessoas com menos de 65 anos, que apresentaram efeitos aproximadamente 9% superiores aos verificados em outras faixas etárias.
Dados divulgados pela Agência Europeia do Ambiente mostraram que, entre 2015 e 2024, a temperatura média global permaneceu 1,2 °C acima dos níveis pré-industriais, aproximando-se do limite de 1,5 °C definido no Acordo de Paris. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas informou que cada aumento adicional de 0,5 °C intensifica ondas de calor, chuvas e secas.
No Brasil, o Relatório de Qualidade do Ar 2025, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), registrou concentrações de poluentes frequentemente acima do limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
Com informações de Olhar Digital
