Em texto divulgado em 20 de abril de 2026, o jornalista Renan Ramalho relatou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estariam reagindo a críticas e manifestações de parlamentares e gestores públicos com pedidos de investigação criminal e medidas que podem resultar em inelegibilidade. O autor afirmou que esse comportamento, motivado por queda de confiança apontada em pesquisas de opinião, coloca a Corte em rota de colisão com representantes eleitos e poderia levar a um processo de impeachment.
Ramalho citou o senador Alessandro Vieira como alvo mais recente do STF. Na semana anterior, Vieira apresentou voto na CPI do Crime Organizado defendendo que Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli fossem indiciados por crimes de responsabilidade no caso Master. O voto, descrito como juridicamente inofensivo e posteriormente rejeitado pela maioria da comissão, provocou a reação de um dos ministros, que solicitou ao procurador-geral da República abertura de investigação contra o senador por abuso de autoridade.
De acordo com o colunista, Vieira agora corre o risco de ser condenado a penas de prisão pelos mesmos magistrados que questionou e de perder os direitos políticos. O texto também menciona o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que passou a ser investigado no inquérito das fake news após compartilhar vídeo humorístico em que dois ministros são retratados como fantoches. O pedido partiu de Gilmar Mendes, encaminhado a Alexandre de Moraes, e pode retirar Zema das eleições de 2026.
O ex-juiz e senador Sergio Moro foi apontado por Ramalho como outro político passível de punição, devido a uma brincadeira feita durante uma festa junina envolvendo o decano do STF. O jornalista acrescentou que todos esses atos são divulgados pelos próprios ministros em canais oficiais do Tribunal, o que, segundo ele, pretende reforçar o temor entre opositores.
O artigo observa que a estratégia de intimidação, antes aplicada a figuras como o ex-deputado Daniel Silveira e o ex-presidente Jair Bolsonaro, agora se dirige a senadores, únicos detentores do poder constitucional de impedir ministros. Ramalho avaliou que o acirramento pode resultar em hostilidade simultânea de população e autoridades, cenário que, segundo ele, historicamente favorece conspirações contra governantes.
O colunista lembrou o ataque de 8 de janeiro de 2023 à sede do STF, argumentando que as punições severas impostas aos responsáveis e a oposição da Corte a eventuais anistias ampliaram a insatisfação. Ele escreveu que investigações recentes da Polícia Federal indicam descontentamento até mesmo entre forças de segurança e sugeriu que um Senado eleito sob forte indignação popular, nas urnas de outubro, poderia impulsionar um processo de impeachment contra ministros do Supremo.
Com informações de Gazeta do Povo
