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CPMI do INSS aprova série de quebras de sigilo e amplia investigação sobre aliados do governo Lula

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, em 27 de fevereiro de 2026, um conjunto de requerimentos que abrange quebras de sigilo bancário e fiscal, além de convocações de depoentes ligados a suspeitas de fraudes em descontos associativos de aposentados. Entre os alvos está Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo acesso a dados financeiros foi autorizado após sessão marcada por embate entre parlamentares da base e da oposição.

Os pedidos aprovados atingem ainda o ex-CEO do Banco Master e controlador do Banco Pleno, Augusto Ferreira Lima; o ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal; o empresário Gustavo Marques Gaspar; as empresárias Roberta Moreira Luchsinger e Danielle Miranda Fonteles; e a empresa CredCesta. A oposição defendeu as medidas para rastrear movimentações financeiras e identificar eventuais conexões políticas, enquanto governistas alegaram desvio do foco técnico da comissão.

Mesmo com maioria no colegiado, integrantes da base tentavam bloquear iniciativas que pudessem envolver o Palácio do Planalto, mas a oposição conseguiu aprovar 87 requerimentos. Após a votação, parlamentares governistas passaram a pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que ele anule o resultado. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), declarou que houve “golpismo contumaz” na condução da sessão e afirmou que a CPMI teria assumido orientação eleitoral.

A atuação da comissão ganhou novo impulso depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça assumir a relatoria de procedimentos ligados ao caso. Mendonça já havia autorizado a quebra de sigilo bancário de Lulinha a pedido da Polícia Federal, que mencionou suspeita de repasse de cerca de R$ 300 mil por meio de intermediário. A defesa do empresário informou que entregará voluntariamente os documentos solicitados e reiterou que ele não participou das fraudes investigadas.

Augusto Ferreira Lima tornou-se um dos principais focos do colegiado. A CPMI aprovou cinco requerimentos para ouvi-lo e também quebrou seus sigilos referentes ao período de 2015 a 2025. Relatores querem rastrear recursos relacionados a operações de crédito consignado oferecidas a aposentados, produto criado por Lima quando dirigia o Banco Master. Durante a discussão, o senador Rogério Marinho (PL-RN) qualificou o executivo como “banqueiro do PT” e citou ligações com os petistas baianos Rui Costa e Jaques Wagner, iniciadas em 2018, quando Wagner chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

A CredCesta, empresa responsável por cartão de crédito consignado associado às investigações, também teve quebra de sigilos aprovada. A assessoria da companhia e a defesa de Augusto Ferreira Lima não responderam aos pedidos de posicionamento até o fechamento desta reportagem.

A empresária Roberta Moreira Luchsinger, amiga de Lulinha, teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados após aparecer em relatórios da Polícia Federal. Segundo oposicionistas, empresa vinculada a ela teria recebido cinco transferências de R$ 300 mil atribuídas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador do esquema. Em dezembro, a defesa de Roberta declarou que ela nunca se envolveu com descontos do INSS.

A CPMI também aprovou acesso a dados de Danielle Miranda Fonteles, ex-publicitária do PT, incluindo Relatórios de Inteligência Financeira. Investigadores afirmam que ela recebeu R$ 5 milhões de Antunes entre novembro de 2023 e março de 2025, supostamente relacionados a transações imobiliárias em Trancoso (BA) consideradas inconsistentes.

Em outra frente, foram convocados o empresário Gustavo Marques Gaspar e o ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Adroaldo da Cunha Portal. Parlamentares apontam que ambos participaram de reunião não registrada na agenda oficial do ministério em 13 de março de 2023, acompanhados por Antunes. Gaspar, ex-assessor do senador e vice-líder do governo Weverton Rocha (PDT-MA), cumpre prisão domiciliar desde 11 de fevereiro, concedida por André Mendonça. Portal, afastado do cargo após prisão preventiva em dezembro, declarou anteriormente que nunca se envolveu em práticas ilegais.

Com o prazo de funcionamento da CPMI se encerrando no fim de março, deputados e senadores correm para concluir os trabalhos, enquanto governo e oposição intensificam a disputa em torno das investigações.

Com informações de Gazeta do Povo

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