Pesquisadores relatam no periódico The Astrophysical Journal a descoberta do buraco negro supermassivo ID830, que ultrapassou o limite de Eddington ao acumular matéria a um ritmo cerca de 13 vezes superior ao considerado estável pelos modelos atuais. O objeto já possuía massa equivalente a 440 milhões de sóis há aproximadamente 12 bilhões de anos, quando o Universo tinha cerca de 15% da idade atual.
Classificado como quasar, o ID830 apresenta luminosidade elevada e encontra-se em intensa fase de atividade. O corpo celeste emite simultaneamente jatos de rádio a partir de suas regiões polares e forte radiação em raios X proveniente de uma coroa de partículas aquecidas a bilhões de graus, combinação que as teorias indicam ser incomum durante períodos de crescimento extremo.
Para estimar a taxa de acreção, a equipe analisou emissões em luz ultravioleta e raios X. Os dados confirmam que o buraco negro supera o equilíbrio previsto pelo mecanismo de Eddington, no qual a pressão da radiação liberada pelo disco de acreção normalmente dificulta a entrada de mais matéria. Ao exceder esse ponto, o objeto entra em regime super-Eddington, situação considerada temporária e possivelmente limitada a alguns centenas de anos.
Os autores sugerem que o surto de alimentação pode ter sido provocado pela captura de uma estrela muito massiva ou de uma grande nuvem de gás, cujos fragmentos teriam fornecido combustível suficiente para o crescimento acelerado. Mesmo intervalos curtos de ingestão intensiva contribuiriam de forma significativa para alcançar centenas de milhões de massas solares em um intervalo tão precoce da história cósmica.
Observações recentes do Telescópio Espacial James Webb já indicavam a existência de buracos negros supermassivos no Universo primordial, desafio adicional para os modelos que consideram apenas crescimento dentro do limite de Eddington. A hipótese de sementes formadas pelo colapso de estrelas de População III, com milhares de massas solares, ainda exigiria longos períodos de acreção para atingir as dimensões registradas no ID830.
A equipe acrescenta que a energia liberada pelo quasar pode aquecer e dispersar o gás interestelar da galáxia hospedeira, reduzindo a formação de novas estrelas e afetando a evolução desses sistemas nos estágios iniciais do Universo.
Com informações de Olhar Digital
