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Escola de samba faz 79 minutos de exaltação a Lula e ironiza Bolsonaro no Carnaval do Rio

O desfile da Acadêmicos de Niterói, na abertura do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, totalizou 79 minutos centrados em elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exibidos em cadeia nacional de televisão. Segundo o texto original, esse tempo superou, por exemplo, os cerca de 7 minutos diários que o então candidato petista teve no primeiro turno das eleições de 2022 e os 10 minutos no segundo turno.

Durante o percurso, o samba-enredo foi cantado doze vezes, trazendo em cada repetição seis entonações do refrão “olê, olê, olá, Lula, Lula”, o que somou 72 repetições do slogan. A letra incluía frases usadas na campanha, menções ao número 13 do Partido dos Trabalhadores e referências como “meu sobrenome é Brasil da Silva” e “no choro de Luiz, a luz de Garanhuns”.

A apresentação também trouxe diversas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No primeiro carro alegórico, atores encenaram a passagem da faixa presidencial de Lula para Dilma Rousseff, a posterior retirada por Michel Temer e, em seguida, a entrega ao personagem “Bozo”, que representava Bolsonaro. Próximo ao encerramento, um boneco gigante retratou o ex-mandatário atrás de grades, vestido como presidiário e com tornozeleira eletrônica.

Outro carro, chamado “Conservadores em Conserva”, mostrou Bolsonaro com uniforme militar e nariz de palhaço, além de integrantes fantasiados de latas e xícaras caricaturando a Bíblia, fiéis evangélicos e o agronegócio. A escola incluiu ainda uma ala com foliões nas cores dos Estados Unidos, bonés “MAGA” e orelhas do Mickey, vinculando a crítica ao ex-presidente americano Donald Trump.

Lula apareceu em telões de LED, em fantasias de mestre-sala com chapéu de cangaceiro e em bonecos tocando acordeão e viola. No último carro, um boneco do presidente ergueu o punho fechado; o texto original associa a imagem a monumentos de líderes como Saddam Hussein, Kim Jong-un, Joseph Stalin, Benito Mussolini e Nabucodonosor.

Elementos como um lagarto balançando a língua e um sapo também integraram as alegorias. Segundo a publicação, esses itens foram interpretados por parte do público como referências subliminares, lembrando o apelido “sapo barbudo” dado por Leonel Brizola a Lula.

O diretor da bateria, Mestre Branco Ribeiro, exibiu o gesto do “L” para as câmeras. Passistas vestiram roupas vermelhas com estrela do PT no peito. Já no carro “O Brasil mudou de cara”, porco e frango foram colocados sobre bandejas, sem menção à picanha, que, de acordo com o texto, chegaria apenas aos camarotes VIPs.

O artigo informa que o presidente recebeu orientações para permanecer no camarote, mas decidiu descer à pista ao final do desfile para cumprimentar integrantes da escola. A publicação relata ainda que dois camarotes cedidos pela prefeitura do Rio de Janeiro acomodaram 500 convidados de Lula.

Para o jurista Adriano Soares da Costa, houve abuso de poder econômico ou político, pois a maior festa popular do país, transmitida por concessões públicas, teria promovido propaganda eleitoral antecipada com recursos públicos. Na avaliação dele, a situação pode gerar efeito rebote nas eleições municipais, ao abrir espaço para que prefeitos usem verbas locais em eventos semelhantes, o que configuraria violação aos princípios da moralidade, impessoalidade e desvio de finalidade. Ele defendeu que o Tribunal Superior Eleitoral se manifeste sobre o episódio.

O texto também destaca um carro que mostrou um Lula formado por latas, com faixa presidencial e braços estendidos, descrito como “Lula Frankenstein”, e outro que retratou Bolsonaro como palhaço presidiário, ambos apontados como exemplos do tom de “bajulação, desprezo e zombaria” presente no desfile.

Com informações de Gazeta do Povo

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