Um grupo de 158 tartarugas gigantes juvenis da linhagem de Floreana foi liberado em 2026 na ilha homônima, no arquipélago de Galápagos, encerrando um intervalo de aproximadamente 150 anos sem a espécie no local. A iniciativa integra um programa de reintrodução que, segundo estudo da Galapagos Conservation Trust, representa um dos maiores esforços de restauração ambiental já realizados na região.
A ação teve início com análises genéticas que detectaram, em 2012, traços da espécie de Floreana em tartarugas híbridas encontradas no Vulcão Wolf. Pesquisadores cruzaram indivíduos com alta carga genética ancestral em centros de reprodução em cativeiro, gerando filhotes capazes de restabelecer a população extinta desde 1850, quando caça predatória e espécies invasoras eliminaram os animais originais.
As tartarugas gigantes exercem funções ecológicas fundamentais, como dispersar sementes, controlar o crescimento de plantas invasoras e fertilizar o solo vulcânico. A ausência desses herbívoros levou ao domínio de vegetação homogênea e à perda de biodiversidade em Floreana. Com o retorno dos quelônios, pesquisadores observam clareiras naturais, otimização do ciclo de nutrientes e formação de micro-habitats benéficos a répteis menores e aves terrestres.
Métricas projetadas pelos responsáveis pelo projeto indicam aumento de até 40% da fauna nativa em uma década, melhora significativa na absorção de nutrientes minerais pelo solo e recuperação das matas de cactos Opuntia. O método empregado combina genética clássica e sequenciamento de nova geração, evitando clonagem e priorizando diversidade suficiente para a sobrevivência a longo prazo.
As autoridades ambientais mantêm monitoramento contínuo da saúde dos 158 indivíduos soltos e adotam medidas de controle de predadores. A expectativa é que a nova geração atinja a maturidade ao longo das próximas décadas, tornando a população autossustentável e servindo de modelo para iniciativas semelhantes em outras ilhas que perderam sua megafauna herbívora.
Com informações de Olhar Digital
