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Relatório Planetary Health Check 2026 indica que humanidade ultrapassou sete dos nove limites planetários

O Planetary Health Check 2026, elaborado pelo Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), aponta que sete dos nove limites planetários definidos pela ciência já foram ultrapassados. O estudo inclui, pela primeira vez, a acidificação dos oceanos entre as fronteiras que excederam a zona considerada segura.

De acordo com o documento, as barreiras superadas referem-se ao clima, à biodiversidade, ao uso da terra, ao ciclo da água, ao emprego excessivo de fertilizantes, à poluição química e à acidificação oceânica. A camada de ozônio e a poluição do ar permanecem dentro da faixa de segurança, embora o relatório destaque o crescimento dos riscos associados aos aerossóis em determinadas regiões.

Boris Sakschewski, autor principal do estudo, afirmou que a pressão sobre todas as fronteiras planetárias já fora do espaço operacional seguro continua a aumentar. O relatório relaciona essa tendência a emergências ambientais registradas recentemente, como o verão mais quente em diversos países europeus, com 48,4 °C na Sardenha, na Itália, acompanhado por incêndios e secas.

Entre outros eventos extremos, o documento menciona as enchentes de 2025 no Paquistão, que afetaram mais de 6,9 milhões de pessoas, e o colapso de uma geleira no Himalaia em 2026, que provocou inundações no Nepal e no Tibete, destruiu comunidades e causou pelo menos 1.300 mortes.

O estudo também vincula clima e biodiversidade. A continuidade do desmatamento na Amazônia é apontada como ameaça a um dos principais sumidouros de carbono do planeta. No ambiente marinho, a pesca de arrasto atinge entre 1% e 2% do leito oceânico anualmente, produzindo danos duradouros, enquanto o interesse crescente pela mineração em águas profundas adiciona outra pressão ainda não totalmente quantificada.

Apesar do diagnóstico, o Planetary Health Check 2026 ressalta que o cenário pode ser revertido. A recuperação da camada de ozônio é citada como exemplo de resposta coletiva bem-sucedida, e o relatório indica que já existem ferramentas para enfrentar emissões de carbono, destruição da natureza e poluição. O diretor do PIK e coautor do documento, Johan Rockström, declarou em nota que, embora o tempo seja limitado, o conhecimento, a capacidade e as soluções necessárias estão disponíveis para reduzir a pressão sobre os sistemas naturais e restabelecer condições seguras.

Com informações de Olhar Digital

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