O pesquisador francês François Desset anunciou, em 2022, a decifração completa do sistema linear elamita, um alfabeto de aproximadamente quatro mil anos identificado em artefatos do antigo território do Elam, no atual Irã. A descoberta reaquece discussões sobre a origem da escrita ao apresentar um sistema independente dos já conhecidos hieróglifos egípcios e da escrita cuneiforme mesopotâmica.
A trajetória do estudo teve início em 1903, quando arqueólogos localizaram vasos com inscrições enigmáticas na região de Susa. Por mais de um século, os símbolos foram considerados meramente decorativos. A pesquisa ganhou novo fôlego em 2017, após a incorporação de peças de prata da coleção Mahboubian, o que ampliou substancialmente o conjunto de material disponível para análise. Os artefatos exibem formas geométricas angulares gravadas em pedra, barro e metais preciosos.
Exames detalhados demonstraram que cada sinal corresponde a uma sílaba específica, confirmando a natureza fonética do sistema. As inscrições, tradicionalmente lidas da direita para a esquerda ou de cima para baixo, costumam referir-se a reis influentes e divindades locais. Segundo Desset, o processo de decifração exigiu décadas de comparação minuciosa entre objetos de diferentes museus e contou com a colaboração de especialistas internacionais para mapear com precisão os sons da língua antiga.
A conclusão do estudo insere o linear elamita entre os primeiros modelos autônomos de escrita conhecidos, ao lado dos sistemas desenvolvidos no Egito e na Mesopotâmia. Ao revelar que a comunicação por símbolos fonéticos surgiu paralelamente em distintas regiões, a pesquisa amplia o entendimento sobre a evolução linguística humana.
Com o método de leitura estabelecido, milhares de tabuletas preservadas poderão ser revisitadas, permitindo acesso inédito a aspectos ainda desconhecidos da cultura que prosperou na área há cerca de dois milênios antes de Cristo. O principal desafio apontado pelas equipes envolvidas é localizar novos textos que ampliem o vocabulário já decifrado e aprofundem o conhecimento sobre aquela civilização.
Com informações de Olhar Digital
