Parlamentares da oposição no Senado passaram a utilizar, nesta semana, colegiados já instalados e a CPI do Crime Organizado para aprofundar apurações sobre o Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. A iniciativa foi tomada após o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, sinalizar que não pretende criar uma comissão parlamentar de inquérito exclusiva para o tema.
Sem a nova CPI, senadores contrários ao governo recorreram à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e à CPMI do INSS. Os grupos se baseiam em material compartilhado pela Polícia Federal, que aponta possíveis irregularidades no controle da instituição financeira.
O principal alvo das investigações é Dias Toffoli. A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilo da empresa Maridt, pertencente à família do magistrado, que foi sócia de um resort vendido a um fundo relacionado ao proprietário do Banco Master. Os parlamentares também pretendem convidar o ministro Alexandre de Moraes para esclarecer contratos de advocacia firmados por sua esposa com o banco investigado.
A Polícia Federal entregou ao Senado dezenas de terabytes de dados extraídos de computadores e celulares de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Embora o material permaneça sob sigilo judicial, ele serve de base para novos pedidos de convocação e de quebras de sigilo bancário.
Daniel Vorcaro, que cumpre prisão domiciliar em decorrência da Operação Compliance Zero — investigação sobre fraudes bilionárias envolvendo títulos de crédito —, declarou disposição para depor presencialmente no Senado em 3 de março. O Supremo Tribunal Federal já havia informado que sua presença nesses colegiados é facultativa.
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar e que a saída da sociedade no resort Tayayá ocorreu por valores de mercado, antes de o ministro ser sorteado para relatar processos ligados ao Banco Master. Toffoli negou amizade com Vorcaro e disse nunca ter recebido pagamentos indevidos do banqueiro.
Com informações de Gazeta do Povo
