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Especialista afirma que Copa do Mundo consolidará uso de IA e conteúdo em tempo real na publicidade

A Copa do Mundo de 2026 deve marcar a consolidação de um modelo já perceptível na indústria criativa, segundo Bruno Ruiz, sócio-fundador do Grupo b+ca. O executivo observa que o audiovisual deixou de ser apenas peça publicitária e passou a funcionar como conteúdo adaptável, distribuído em tempo real e em múltiplos formatos, como cortes, bastidores, versões e memes para redes sociais.

Ruiz aponta que a inteligência artificial acelera esse processo ao permitir a adaptação de campanhas em poucos minutos, conforme comportamento, contexto e audiência. Ele destaca, porém, que a ampliação da escala de produção não garante relevância, tornando a autenticidade um diferencial competitivo para marcas, criadores e produtoras.

Como referência dessa mudança, o especialista menciona a Copa de 2022, quando a parceria entre Publiset e Tunad utilizou IA para sincronizar campanhas digitais aos acontecimentos dos jogos. Gols, pênaltis e intervalos ativaram conteúdos específicos em tempo real, conectando mídia offline e online em uma operação pautada por momentos de marketing.

Estimativas do mercado indicaram que, em 2022, os investimentos publicitários vinculados ao torneio superaram R$ 1 bilhão apenas em patrocínios televisivos e excederam R$ 2,8 bilhões ao se considerar todo o ecossistema de mídia. Nesse ambiente competitivo, Ruiz afirma que o conteúdo eficaz depende de timing, contexto e assertividade de audiência, fatores que estimulam o público a interagir com materiais espontâneos e culturalmente conectados.

O especialista observa que as redes sociais são guiadas por uma estética de autenticidade, com linguagem conversacional influenciada por criadores, entretenimento e comunidades digitais. Em paralelo, ferramentas generativas vêm acelerando a cadeia criativa, e profissionais do setor já tratam a IA como infraestrutura do mercado publicitário.

Na prática, a tecnologia automatiza versões de campanhas, adapta formatos, regionaliza conteúdos e amplia a escala produtiva em tempo real. Segundo Ruiz, durante a Copa de 2026 uma única campanha poderá gerar dezenas de versões simultâneas ajustadas por idioma, comportamento, plataforma ou clima emocional das partidas, fornecendo personalização e senso de pertencimento ao público.

Ele alerta, entretanto, para o risco de padronização criativa quando diferentes agentes utilizam as mesmas ferramentas e modelos visuais. Nessa circunstância, o repertório cultural passa a ser o principal fator de diferenciação. Ruiz argumenta que o futuro do audiovisual será definido pela integração entre criatividade humana e capacidade operacional da IA, sem que um elemento ultrapasse os limites do outro.

De acordo com o executivo, a inteligência artificial tende a assumir tarefas de escala, adaptação e personalização, enquanto a visão humana permanece necessária para direção criativa, leitura cultural e construção narrativa. Em grandes eventos como a Copa, marcas precisarão produzir em alta velocidade sem perder identidade e relevância cultural.

Para Ruiz, as empresas que se destacarão em 2026 não serão apenas as que gerarem maior volume de conteúdo, mas aquelas que adotarem a IA para ampliar presença sem ignorar o contexto cultural do momento.

Com informações de Olhar Digital

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