A Polícia Civil investiga a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas por suspeitas de corrupção, falsidade ideológica e direcionamento de contrato. Apesar do inquérito, a administração dos serviços segue com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, contratada sem licitação por R$ 139 milhões.
No avanço mais recente da Operação Falsa Emergência, foram presos a secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa. A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como lobista no acordo, esteve foragida durante cinco dias e apresentou-se à polícia na segunda-feira (15). A defesa dela informou que a cliente viajava no período.
O g1 solicitou posicionamento da Prefeitura de Palmas sobre a manutenção do contrato, mas não recebeu resposta até a última atualização. O advogado de Cláudia declarou não ter tido acesso aos autos. Já as defesas de Dhieine Caminski e Andreis Vicente obtiveram liminares para consultar o processo e requereram a revogação das prisões.
O contrato, divulgado em março de 2026, prevê valor de R$ 139 milhões para 12 meses. Uma ação popular pediu sua suspensão, negada em primeiro grau. O Ministério Público recorreu, o Tribunal de Justiça determinou que o município reassumisse a gestão e, em seguida, o Superior Tribunal de Justiça manteve a terceirização ao avaliar risco de prejuízo ao atendimento. O STJ determinou que o acordo permaneça até julgamento mais aprofundado na Justiça Estadual.
Na quarta-feira (10), a 2ª Vara da Fazenda rejeitou pedido da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para impedir o autor da ação popular de divulgar dados da investigação nas redes sociais. A decisão foi assinada pelo juiz Valdemir Braga de Aquino Mendonça. A entidade não se manifestou ao g1.
As investigações iniciadas em abril incluíram mandados de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos envolvidos. Apurações indicam que um carro de luxo teria sido usado como suposto pagamento de propina a um assessor especial da Secretaria Municipal de Saúde. O veículo está registrado em nome de Cláudia e teria sido alugado um dia antes da dispensa de chamamento público.
Decisão da 1ª Vara Regional das Garantias apontou possível elaboração artificial de justificativas para a dispensa e a produção de documentos com datas retroativas, ausentes nos sistemas digitais da secretaria. Servidores relataram ter sido pressionados a assinar pareceres técnicos favoráveis sem acesso ao plano de trabalho da entidade. A secretária de Saúde também é acusada de monitorar e tentar influenciar depoimentos de subordinados.
Com informações de G1
