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Brasil inicia fase prática da TV 3.0 e prevê transmissões experimentais para 2026

No último dia 14, o Ministério das Comunicações, a Anatel e a EBC colocaram em funcionamento, na Torre de TV de Brasília, a estação de testes da TV 3.0, etapa que inaugura a transição tecnológica planejada para durar até 15 anos e atingir aproximadamente 90 milhões de televisores no país.

A tecnologia, batizada de DTV+, combina sinal de broadcast com conexão à internet, mantendo a gratuidade da TV aberta e adicionando navegação por aplicativos, conteúdo sob demanda, publicidade segmentada e recursos de acessibilidade ampliados. O Fórum SBTVD indica que, nesse modelo, canais funcionarão como aplicativos em uma interface semelhante às plataformas de streaming.

As primeiras transmissões experimentais estão previstas para junho de 2026, com início em grandes capitais como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. A expansão nacional deve ocorrer de forma gradual, podendo levar até 15 anos.

O padrão tecnológico escolhido é o ATSC 3.0, definido após testes realizados entre 2023 e 2024 e oficializado por decreto em 2025. Entre os principais componentes está o codec VVC, que, segundo o coordenador do Módulo de Mercado do Fórum SBTVD, Sergio Bruzetti, aumenta em cerca de 50% a eficiência em relação ao MPEG-4 e viabiliza transmissões em 4K e, futuramente, 8K. O áudio adotará o padrão MPEG-H, permitindo som imersivo e ajustes individualizados.

Na estação de Brasília, equipamentos instalados com apoio da entidade Seja Digital já operam na nova faixa de canais destinada ao sistema. Mesmo sem conexão à internet, o sinal principal continuará acessível, oferecendo melhorias de imagem e som; as funções interativas dependerão da conectividade.

A adaptação exigirá conversores para os televisores atuais, com custo estimado entre R$ 300 e R$ 400. Para as emissoras, a ABERT calcula que a replicação da cobertura digital em todo o país demandaria cerca de R$ 21,79 bilhões; concentrar a implantação apenas em capitais e regiões metropolitanas reduziria esse montante para R$ 4,95 bilhões.

Dados da Kantar Ibope de março de 2025 mostram que a TV aberta responde por 70% do consumo de vídeo no Brasil, enquanto, em dezembro de 2024, as plataformas digitais somaram 20,1% de audiência, com YouTube (12,6%) e Netflix (4,6%) à frente. A pesquisa PNAD TIC de 2021 aponta a presença de televisores em 95% dos lares, e 42,5% da população considera a TV o meio de comunicação mais confiável.

O especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja avalia que a TV 3.0 terá espaço mesmo com o avanço do streaming, citando a interatividade como diferencial para públicos que não assinam plataformas pagas. Ele afirma que quem já utiliza serviços digitais também se beneficiará dos novos recursos oferecidos pelo sistema.

Segundo a ABERT, o avanço da implantação depende de previsibilidade regulatória, coordenação entre agentes do setor e criação de mecanismos de financiamento que atendam a emissoras de diferentes tamanhos. O cronograma pode sofrer impacto de fatores burocráticos, disponibilidade tecnológica e questões logísticas.

Com a TV 3.0, o setor pretende aproximar a televisão aberta da experiência já familiar ao público em ambientes digitais, unindo transmissão tradicional e conectividade sem alterar o caráter gratuito do serviço.

Com informações de Olhar Digital

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