O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), afirmou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) cometeu um equívoco ao adiar a visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o vice-prefeito declarou que o encontro seria um gesto humanitário e disse que Bolsonaro atravessa uma situação difícil.
A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e estava marcada para quinta-feira, 22 de janeiro. Um dia antes, Tarcísio confirmara a ida à capital federal, relatando a jornalistas que pretendia manifestar solidariedade ao ex-presidente, verificar se ele necessitava de algo e reafirmar apoio.
Depois da autorização, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou à CNN Brasil que o pai daria um ultimato a Tarcísio, pois considera a reeleição do governador em São Paulo fundamental para a estratégia de derrota do PT. O senador acrescentou que Tarcísio costuma perguntar sobre o estado de Bolsonaro e gostaria de ouvir do ex-mandatário uma avaliação positiva de sua gestão.
Apontado como principal alternativa a Jair Bolsonaro na disputa presidencial de 2026, Tarcísio sempre negou interesse em concorrer ao Planalto e declarou apoio a Flávio, escolhido pelo ex-presidente como candidato da direita. Horas após a fala do senador, o Palácio dos Bandeirantes informou que, por compromissos em São Paulo, a visita seria adiada e que uma nova data seria solicitada.
Mello Araújo disse não conhecer os motivos que levaram ao adiamento, mas ressaltou acreditar que metade da população brasileira gostaria de visitar Bolsonaro. Ele também afirmou que, após a definição de Flávio como candidato, os apoiadores da direita não discutem mais o tema e observou que Tarcísio sempre se declara postulante apenas à reeleição no estado, “a menos que diga uma coisa e faça outra”.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou qualquer mal-estar entre Tarcísio e Bolsonaro. Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, afirmou que o governador participará ativamente da campanha de Flávio e atribuiu rumores de conflito a uma tentativa do PT de criar tensão.
Na semana anterior, em 14 de janeiro, aliados de Bolsonaro criticaram Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após ambos curtirem publicação da primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, que dizia que o Brasil precisava de um “novo CEO”. O ex-vereador Carlos Bolsonaro comentou que os “isentões” eleitos pelo sacrifício do pai estariam mostrando “garrinhas”. O jornalista Allan dos Santos divulgou vídeo com a curtida de Michelle; em resposta, a ex-primeira-dama chamou o comunicador de “boneco de ventríloquo de canalhas” e o apelidou de “Allan dos demônios”.
No mesmo contexto, o deputado federal Eduardo Bolsonaro questionou publicamente onde estaria a união da direita e cobrou apoio explícito a Flávio.
Com informações de Gazeta do Povo
