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Robôs humanoides batem marcas de Usain Bolt nos 100 m e 400 m em jogos de Pequim

O World Humanoid Robot Games, realizado em Pequim, apresenta a segunda edição com mais de 2 000 robôs disputando 51 modalidades. Nesta edição, o modelo Tien Kung Ultra percorreu 100 metros em 9,39 segundos, superando os 9,58 segundos do recorde mundial de Usain Bolt. Nos 400 metros, outro exemplar da mesma série completou a distância em 38,15 segundos, abaixo dos 43,03 segundos da melhor marca humana.

O avanço em relação à edição anterior chama atenção. Segundo o South China Morning Post (SCMP), o vencedor dos 400 metros na última disputa precisou de 88,03 segundos, enquanto, agora, os três primeiros colocados finalizaram abaixo dos 40 segundos. No Twitter, a organização do evento informou que, há um ano, a melhor marca nos 100 metros era 21,50 segundos.

Ainda assim, a pista expôs limitações. Alguns competidores caíram e tiveram de ser retirados por funcionários, e, em uma partida de futebol, um robô derrubou o próprio colega de equipe.

Fora das provas de velocidade, a competição inclui atividades como conexão de cabos, montagem industrial, carregamento de materiais, recarga de veículos elétricos, tarefas em restaurantes e hotéis, situações de emergência e serviços domésticos. Para Yu Chao, diretora-executiva da Lumos Robotics ouvida pela Reuters, os humanoides só terão valor efetivo quando atuarem de forma confiável nesses cenários; correr e saltar não basta para aumentar a eficiência.

Em uma demonstração da Galbot, um humanoide participou de uma partida em quadra contra humanos. A máquina precisou acompanhar a trajetória da bola, prever o ponto de queda, deslocar-se e coordenar braços e tronco. De acordo com o SCMP, o robô caiu durante o jogo, levantou-se sozinho e continuou, evidenciando capacidade de reação, mas também a distância para uma operação sem falhas.

A Reuters destaca que mais de 40 % das provas exigem funcionamento totalmente autônomo. Esse nível de processamento pressiona o consumo de energia: os motores já demandam grande parte da bateria e, conforme lembrou David Li, executivo da Huawei ao SCMP, a incorporação de computação de inteligência artificial dentro do próprio robô agrava essa demanda. Uma alternativa é deslocar parte do processamento para a nuvem, solução que diminui o gasto local de energia, mas aumenta a dependência de conexão de rede.

Os recordes de tempo demonstram a evolução dos humanoides, porém as tarefas de conectar cabos, movimentar objetos ou corrigir erros em ambiente dinâmico permanecem como prova decisiva da utilidade prática dessas máquinas.

Com informações de Olhar Digital

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