Blackstone e Hellman & Friedman, em parceria com a Anthropic, constituem uma equipe de cerca de 160 profissionais de inteligência artificial destinada a atuar diretamente dentro das empresas dos respectivos portfólios. A operação faz parte da Ode, empresa criada a partir de uma joint venture de US$ 1,5 bilhão que também conta com Apollo, General Atlantic e Goldman Sachs entre os investidores.
A Ode funciona como companhia independente. Blackstone, Hellman & Friedman e Anthropic comprometem-se individualmente com aportes próximos de US$ 300 milhões. Segundo Rodney Zemmel, responsável global pela equipe operacional da Blackstone, o diferencial é a formação por engenheiros seniores, e não por profissionais iniciantes em IA.
Embora o foco inicial esteja nas controladas dos fundos, a Ode planeja oferecer serviços a empresas sem vínculo com private equity. O lançamento coincide com maior escrutínio dos executivos sobre gastos com IA e com a preocupação de trabalhadores de escritório em relação à substituição por tecnologias avançadas. Pesquisa da EY-Parthenon realizada em maio indica que 20 % dos CEOs preveem cortes significativos de empregos resultantes de investimentos em IA, ante 46 % em janeiro de 2025.
Gestores dos fundos afirmam que o objetivo central da Ode é criar novas linhas de produtos e ampliar receitas, deixando a redução de custos em segundo plano. A Blackstone pretende adotar a iniciativa em 25 de suas mais de 270 companhias, com engenheiros já alocados em seis delas. De acordo com Zemmel, um executivo da equipe de IA aplicada da gestora permanece entre um e dois dias por semana nas empresas atendidas para apoiar a implementação de ferramentas.
Entre os casos em andamento está a Chamberlain Group, fabricante dos sistemas LiftMaster, adquirida pela Blackstone em 2021 por US$ 5 bilhões. Na sede em Oak Brook, Illinois, especialistas da Ode compõem um grupo de 18 engenheiros distribuídos em seis equipes. A Chamberlain utiliza IA para adicionar funcionalidades que notificam moradores sobre entregas ou coleta de lixo, reconhecer pessoas autorizadas e enviar alertas.
A companhia projeta instalar mais de três milhões de câmeras residenciais neste ano – ante 1,7 milhão em 2024 – para viabilizar recursos avançados. A Ode também auxilia nos testes de um software que aprende a rotina familiar e envia avisos quando detecta comportamento fora do padrão.
Para o segmento de “porteiro digital”, a Chamberlain espera receita anual de US$ 500 milhões até 2030. A previsão para 2026 é de US$ 100 milhões, contra US$ 40 milhões em 2025. O CEO Jeff Meredith informou ao The Wall Street Journal que, antes da joint venture, a estimativa máxima era de aproximadamente US$ 160 milhões. No total das operações, a empresa antecipa receitas superiores a US$ 2 bilhões neste ano e relata ganhos de eficiência decorrentes do uso do modelo Claude, da Anthropic. Uma campanha no Prime Day da Amazon, em junho, teria custado dez vezes menos do que a realizada no ano anterior, em parte pelo emprego de IA.
A expansão da Ode incluiu, em maio, a aquisição da Fractional AI, startup que já fornecia serviços à Chamberlain e empregava a maioria dos engenheiros agora integrados à nova companhia. Em outra investida da Blackstone, a firma de serviços profissionais Citrin Cooperman recebe suporte da Ode para criar um portal que conecte contadores e consultores financeiros a clientes.
A Hellman & Friedman iniciou implantação semelhante na Baker Tilly, empresa de contabilidade do seu portfólio. Os engenheiros da Ode mapeiam fluxos de trabalho de auditoria, contabilidade e tributos, complementando o reduzido time interno de software da companhia.
As empresas atendidas firmam contratos comerciais com a Ode e não são obrigadas a utilizar seus serviços. Zemmel afirma que a decisão depende do custo e da adequação a cada projeto. O modelo prevê a presença de especialistas dentro das organizações para identificar processos transformáveis, desenvolver produtos e explorar novas fontes de receita.
O CEO da Ode, Chris Taylor, declara que o conjunto de potenciais clientes é extenso e cresce diariamente, englobando companhias fora do universo de private equity.
Com informações de Olhar Digital
