A propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio começa em 28 de agosto, e Lula (PT) entra na disputa presidencial de 2026 com a maior fatia de tempo disponível. Estimativa baseada na representatividade partidária divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que o petista contará com cerca de 5 minutos e 32 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos. Flávio Bolsonaro (PL) terá aproximadamente 4 minutos e 20 segundos.
Juntos, os dois pré-candidatos concentram perto de 79% do espaço total por bloco. Nas inserções de 30 ou 60 segundos que aparecem ao longo da programação das emissoras, a expectativa é de 433 peças de 30 segundos para Lula e 340 para Flávio Bolsonaro.
O histórico das oito eleições presidenciais realizadas desde 1994 indica, porém, que a maior exposição não garante, por si só, a vitória. Em cinco pleitos — 1994 e 1998 com Fernando Henrique Cardoso, 2010 e 2014 com Dilma Rousseff e 2022 com o próprio Lula — o candidato com mais tempo venceu. Em três ocasiões, o vencedor dispunha de menos tempo: 2002, quando Lula superou José Serra; 2006, quando derrotou Geraldo Alckmin; e 2018, quando Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad mesmo tendo apenas oito segundos de propaganda em bloco contra 5 minutos e 32 segundos do principal adversário.
A divisão do tempo segue a composição partidária da Câmara dos Deputados eleita em 2022. O TSE leva em conta 510 parlamentares de legendas que atingiram a cláusula de desempenho, distribuindo 90% do tempo de forma proporcional às bancadas e 10% igualmente entre partidos e federações habilitados. A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) soma 81 deputados, enquanto o PL tem 98. A diferença a favor de Lula se forma porque ele atrai outras siglas para sua coligação nacional, enquanto Flávio Bolsonaro concorre apenas pelo PL.
Com o cálculo das alianças, apenas quatro candidaturas presidenciais terão acesso ao horário eleitoral em 2026: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ficarão fora por não atenderem aos critérios do TSE.
Se houver segundo turno, o tempo em bloco é dividido igualmente entre os dois concorrentes, independentemente do tamanho das alianças. As inserções seguem regras específicas para essa etapa, eliminando a vantagem resultante da estrutura partidária construída no primeiro turno.
Assim, Lula inicia a disputa com a maior máquina de propaganda no rádio e na televisão, cenário inédito desde a redemocratização, pois é o único candidato com coligações além do próprio partido, enquanto os demais concorrentes com tempo de TV participam de chapas formadas por uma única legenda.
Com informações de Gazeta do Povo
