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Astrônomos descartam existência de estrelas verdes, mas Zubeneschamali mantém polêmica

A comunidade científica sustenta que estrelas verdes não existem, embora Zubeneschamali, ou Beta Librae, siga sendo apontada por diversos observadores como a única estrela esverdeada visível a olho nu.

As cores estelares variam conforme a temperatura. Spica se apresenta azul, Antares é avermelhada, Pollux exibe tom alaranjado, Sirius é branca e Alpha Centauri A tem tonalidade amarela. Na classificação espectral da sequência principal, os tipos O, B, A, F, G, K e M, do mais quente ao mais frio, correspondem respectivamente a cores azul, branco-azulado, branca, branco-amarelada, amarela, laranja e vermelha. O Sol, classificado como anã amarela do tipo G, emite luz praticamente branca; o aspecto amarelado próximo ao horizonte resulta da dispersão da luz azul na atmosfera terrestre.

Zubeneschamali é classificada como estrela azul-esbranquiçada do tipo B, integrante de um grupo de astros extremamente quentes. Apesar disso, relatos históricos descrevem um leve matiz verde. Entre eles, destaca-se a observação do astrônomo amador norte-americano William Tyler Olcott, registrada no Burnham’s Celestial Handbook, obra que reproduz a descrição de Beta Librae como a única estrela verde perceptível sem instrumentos.

Segundo o portal EarthSky.org, cientistas explicam que uma estrela pode emitir comprimentos de onda correspondentes ao verde, mas também libera simultaneamente luz de outras cores. A soma desses comprimentos impede que o olho humano perceba o tom verde isoladamente.

A percepção cromática pode variar entre pessoas e ser influenciada por adaptação ao escuro, transparência atmosférica e contraste com astros vizinhos. Por isso, dois observadores podem atribuir cores ligeiramente diferentes ao mesmo objeto celeste.

Para localizar Zubeneschamali em noites límpidas, astrônomos amadores sugerem primeiro identificar a constelação de Escorpião, facilmente reconhecida pela estrela vermelha Antares, e depois procurar Libra um pouco ao norte. A visibilidade é mais favorável de abril a setembro, entre 20h e 23h (horário de Brasília). Aplicativos como Stellarium, Star Walk ou Sky Safari auxiliam na busca.

Beta Librae permanece em destaque também por sua história. O nome, de origem árabe, significa «Garra do Norte», enquanto a vizinha Zubenelgenubi («Garra do Sul») conserva a mesma raiz linguística. Há milhares de anos, ambas pertenciam à constelação de Escorpião; gregos e romanos posteriormente formaram Libra, representando uma balança. Há mais de dois milênios, o Sol atravessava Libra durante o equinócio de outono no Hemisfério Norte, condição alterada pela precessão terrestre, que hoje posiciona o equinócio diante de Virgem.

Do ponto de vista físico, Beta Librae situa-se a cerca de 185 anos-luz, distância que faz seu brilho aparente se assemelhar ao de Zubenelgenubi, localizada a aproximadamente 75 anos-luz. Mesmo assim, Beta Librae apresenta luminosidade quase cinco vezes superior à da vizinha e cerca de 130 vezes maior que a do Sol.

A despeito de décadas de pesquisas reafirmarem a ausência de estrelas verdes, Zubeneschamali continua alimentando debates e estimulando observações que desafiam as limitações da visão humana.

Com informações de Olhar Digital

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