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Hugo Motta se alinha a Lula para travar redução da maioridade penal e projetos com alto impacto fiscal

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, formalizou em junho de 2026 uma articulação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dificultar o avanço de propostas conservadoras e de projetos que ampliam gastos públicos já aprovados no Senado.

A parceria foi definida após um período de atritos entre o deputado e o Palácio do Planalto. Desde então, Motta passou a usar o comando da Casa para funcionar como filtro do Executivo, evitando a análise de matérias consideradas de alto custo ou de forte apelo ideológico da oposição.

Entre os temas barrados está a proposta de emenda constitucional que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Levantamentos indicam que 90% da população apoia a medida, e o governo avalia que a discussão, se ocorrer no momento atual, pode impulsionar adversários na campanha eleitoral de 2026. Para manter o assunto paralisado, Motta não instalou a comissão especial exigida para que o texto avance.

A equipe econômica também aponta risco nas chamadas “pautas-bomba”, projetos votados no Senado que geram despesas inesperadas. Recentemente, o conjunto dessas iniciativas foi estimado em R$ 215 bilhões. Motta resiste a colocar tais matérias em votação na Câmara, atuando como um “escudo fiscal” para evitar desequilíbrio nas contas públicas.

O movimento do presidente da Câmara tem ainda motivação regional. Na Paraíba, seu pai é pré-candidato ao Senado, e o apoio — ou, pelo menos, a neutralidade — do Partido dos Trabalhadores no Nordeste é considerado estratégico pelo grupo político do deputado.

Analistas políticos classificam a aproximação como tática e circunstancial, adequada ao período eleitoral. Não há indicação de mudança ideológica de Motta, mas sim troca de apoio: o governo atende demandas do parlamentar, como ajustes em escala de trabalho, e, em contrapartida, ele protege o Planalto na pauta legislativa.

Com informações de Gazeta do Povo

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