O Departamento de Justiça dos Estados Unidos autorizou a aquisição de US$ 111 bilhões (R$ 561,8 bilhões) da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, informou o Politico nesta sexta-feira (12). A decisão elimina um dos principais entraves regulatórios para a fusão de mídia considerada uma das mais acompanhadas do período Donald Trump.
Com a aprovação, a Paramount poderá se unir à companhia responsável por um grande estúdio de cinema e televisão, pela CNN e pelo serviço de streaming HBO Max, que deverá ser combinado ao Paramount+ em uma nova plataforma estimada em cerca de 200 milhões de assinantes.
Após oito meses de análise, a Divisão Antitruste concluiu que a operação não representa risco à concorrência e decidiu não contestá-la, dispensando exigências de desinvestimentos, medidas comportamentais ou outras concessões. O órgão declarou, com base nas evidências coletadas, que a transação não deve prejudicar consumidores norte-americanos e pode intensificar a disputa nos mercados de streaming, televisão e cinema.
Durante a investigação, os técnicos revisaram mais de dois milhões de documentos, colheram horas de depoimentos e atuaram em conjunto com procuradores-gerais estaduais antes de chegar ao parecer favorável.
Três semanas antes da decisão, o CEO da Paramount, David Ellison, participou de uma reunião presencial de aproximadamente duas horas com representantes da Divisão Antitruste, que o questionaram sobre os impactos competitivos da fusão até considerarem suas dúvidas esclarecidas.
Apesar do aval federal, o acordo enfrenta resistência dentro da indústria do entretenimento. Profissionais de Hollywood manifestam temor de que o processo resulte em demissões em massa, redução de oportunidades para criadores e maior concentração de poder nos setores de cinema, TV e streaming. Críticos alegam que as economias de custos prometidas pela empresa ocorreriam às custas de empregos.
A disputa também se estende a Washington. Nesta semana, a Paramount acusou a Netflix de liderar uma campanha “de terra arrasada” contra o negócio, alegando que a plataforma de streaming incentivava a oposição de entidades como os Teamsters na tentativa de inviabilizar a transação. A Netflix classificou a acusação como absurda.
A aprovação do Departamento de Justiça não encerra o exame da operação. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, mantém a fusão sob análise e ainda pode acionar a Justiça estadual para tentar barrar o acordo, segundo um porta-voz do seu gabinete.
Com informações de Olhar Digital
