O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) amplia a agenda de reuniões com empresários e representantes do mercado financeiro durante a pré-campanha ao Palácio do Planalto de 2026. Auxiliares avaliam que o diálogo com o setor produtivo é essencial para diminuir o índice de rejeição ao seu nome e atrair apoio fora do campo da direita.
A cúpula do PL decidiu manter os compromissos mesmo após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de mensagens e áudios em que o parlamentar solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta sexta-feira (15) e no sábado (16), o pré-candidato participa do lançamento da pré-candidatura do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) ao Senado, em eventos em Sorocaba e Campinas. As atividades incluem a presença do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição.
Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) declarou à CNN Brasil que o partido confia na candidatura de Flávio e não cogita substituições. Segundo integrantes da equipe, encontros com empresários são promovidos desde o início do ano com apoio de lideranças paulistas. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, tem organizado reuniões reservadas em São Paulo, enquanto Marinho atua como principal interlocutor com o mercado.
No dia 20, Flávio tem almoço marcado com executivos do mercado financeiro na região da Faria Lima, em São Paulo, e, à noite, reúne-se com representantes do setor de turismo. Assessores confirmaram informações do jornal O Globo de que, entre 4 e 7 de junho, o senador visitará a Fazenda Boa Vista, condomínio de luxo em Porto Feliz, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista.
No início de maio, o parlamentar participou de jantar com empresários brasileiros em Miami, acompanhado do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. No encontro, que reuniu banqueiros e empresários do setor de vendas, a campanha buscou antecipar pontes com investidores e reduzir incertezas sobre a condução econômica de um eventual governo do partido.
A intensificação da agenda ocorre em meio à preocupação com dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (13). O levantamento mostra que 54 % dos eleitores conhecem o senador e afirmam não votar nele para presidente, enquanto 39 % dizem que votariam. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta rejeição de 53 % e intenção de voto de 44 % entre os que o conhecem. O estudo ouviu 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no TSE sob o protocolo BR-03598/2026.
Aliados consideram que os números reforçam a necessidade de Flávio ampliar o diálogo além do eleitorado conservador. O cientista político Elias Tavares avalia que tanto a direita quanto a esquerda enfrentam limite de expansão eleitoral e que há espaço para novas lideranças que conquistem eleitores menos identificados com a polarização.
No PL, parlamentares próximos a Valdemar Costa Neto admitem que os próximos 30 dias serão decisivos para medir o impacto político do áudio vazado e a viabilidade da candidatura. Dirigentes afirmam que manter Flávio na disputa preserva alianças regionais já em construção, nas quais o senador atuou como fiador. No Paraná, por exemplo, o diretório estadual do Novo divulgou nota reafirmando a parceria com o PL, apesar de críticas do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) após a divulgação dos áudios.
O cientista político Rodrigo Augusto Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que, em um cenário de hiperconectividade, crises e recuperações de imagem ocorrem com rapidez e que o desgaste simbólico pode anteceder conclusões institucionais. Para ele, o episódio envolvendo Flávio surge no momento em que o senador busca consolidar-se como principal nome da direita para 2026.
Ao comentar a repercussão em torno do filme Dark Horse, Flávio Bolsonaro afirmou que a produção foi integralmente financiada de forma privada, sem uso de recursos públicos, e disse considerar que o projeto cultural foi transformado em narrativa política por causa de sua pré-candidatura. Segundo o senador, o suposto escândalo seria uma narrativa eleitoral elaborada pela esquerda.
Com informações de Gazeta do Povo
