A consolidação do padrão IEEE 802.11bb colocou a transmissão de dados por luz, conhecida como LiFi, na rota de fabricação em larga escala. A tecnologia, que emprega lâmpadas de LED para enviar informações de forma invisível, elimina interferências de radiofrequência e promete transformar luminárias comuns em roteadores de alto desempenho.
Um estudo da pureLiFi mapeou a adoção dos novos parâmetros globais de comunicação óptica, possibilitando que fabricantes de semicondutores e dispositivos móveis incluam sensores dedicados em seus produtos. A iniciativa garante interoperabilidade entre marcas e abre caminho para que o recurso se torne nativo em smartphones e notebooks.
O desenvolvimento do LiFi percorreu etapas que vão de experimentos acadêmicos até cenários práticos que exigem latência zero. Em 2011, Harald Haas demonstrou a transmissão de dados via LED, comprovando que a luz poderia transportar informação. Doze anos depois, em 2023, a padronização IEEE 802.11bb integrou oficialmente o LiFi ao guarda-chuva do Wi-Fi, facilitando a adoção industrial. A fase comercial massiva está prevista para 2026, quando deverão chegar ao mercado os primeiros aparelhos de consumo com receptores ópticos instalados de fábrica.
Diferente do Wi-Fi, que se apoia em ondas de rádio suscetíveis a congestionamento, o espectro luminoso oferece largura de banda significativamente maior e livre de interferências eletromagnéticas geradas por eletrodomésticos ou motores. Em ambientes de alta densidade, como estádios ou escritórios, a promessa é manter velocidades estáveis sem quedas bruscas de desempenho.
A segurança física é outro destaque: como a luz não atravessa paredes sólidas, o sinal fica confinado, reduzindo a chance de interceptação por vizinhos ou agentes externos. Testes indicam taxas superiores a 100 Gbps em condições ideais, baixíssima latência, imunidade total a interferências e conexão direcional que favorece dispositivos fixos.
Especialistas apontam que Wi-Fi e LiFi atuam de forma complementar. Enquanto o rádio atravessa barreiras físicas para cobrir grandes áreas, a luz serve para transferir dados volumosos em locais abertos. Setores onde a radiofrequência é restrita, como plataformas de petróleo ou salas cirúrgicas, vislumbram no LiFi uma alternativa de alta velocidade.
Comparativos técnicos listam micro-ondas, sinal exposto e capacidade limitada no Wi-Fi, contra luz visível ou infravermelha, sinal confinado e capacidade praticamente ilimitada no LiFi. A substituição total da infraestrutura atual é considerada improvável no curto prazo; o cenário mais provável envolve roteadores Wi-Fi para cobertura geral e luminárias LiFi para aplicações que exigem maior desempenho.
Protótipos híbridos capazes de alternar entre rádio e luz conforme a posição do usuário já estão em desenvolvimento. Ainda assim, a necessidade de linha de visão entre emissor e receptor e o custo de trocar luminárias convencionais por modelos com modulação óptica permanecem como desafios. Com produção em série e apoio de grandes empresas de tecnologia, a expectativa é que os preços se equiparem aos roteadores topo de linha disponíveis hoje.
Com informações de Olhar Digital
