O Farm Day Fazendão, realizado recentemente, sediou uma mesa-redonda sobre a sucessão presidencial de 2026 com a participação do governador de Goiás e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado (PSD), do senador e vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL), e do presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon (PL).
Durante o debate, Caiado reafirmou a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sustentou que centro-direita e direita devem lançar várias candidaturas no primeiro turno para atrair perfis eleitorais distintos, confiando que a convergência ocorrerá naturalmente na etapa final. Ele declarou considerar viável derrotar o chefe do Executivo no segundo turno, desde que os concorrentes apresentem, segundo suas palavras, “estatura moral”. O governador também mencionou a intenção de propor anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro caso seja eleito e apontou sua aprovação em Goiás como prova de que uma gestão bem-avaliada afasta grupos de esquerda do poder por períodos prolongados.
Em seguida, Eduardo Gomes adotou tom conciliador e argumentou ser necessária a união entre PL, PSD e Republicanos. O senador recordou a vitória de Tarcísio de Freitas em São Paulo como exemplo da aliança entre Jair Bolsonaro e o PSD de Gilberto Kassab. Ele defendeu o legado do governo Bolsonaro, destacando a entrega de títulos de terra e o avanço tecnológico no campo, além de criticar as restrições impostas ao ex-presidente e a situação jurídica de lideranças conservadoras. Para o parlamentar, recuperar a liberdade de expressão é fundamental.
Maurício Buffon concentrou-se na representatividade econômica do agronegócio. O dirigente afirmou que o setor responde por cerca de 75% do Produto Interno Bruto (PIB) do Tocantins e por 40% do PIB nacional, razão pela qual avaliou que o governo federal não deve confrontar produtores rurais. Ele acrescentou que o apoio ao campo resulta em alimentos mais baratos para a população e defendeu o aumento da mistura de biodiesel no óleo diesel como medida econômica e sustentável.
O encontro indicou que a oposição ao governo Lula iniciou processo de mobilização setorial ancorado no agronegócio. Apesar da sintonia entre Caiado e Gomes nas críticas à gestão federal, os participantes reconheceram o risco de fragmentação do bloco conservador. O PL tenta preservar o capital político de Jair Bolsonaro, citando eventuais candidaturas como a do senador Flávio Bolsonaro, enquanto Caiado busca se posicionar como gestor experiente com alta aprovação. Os presentes avaliaram que a vitória em um eventual segundo turno dependerá da capacidade de acomodar o pragmatismo do PSD e o ideologismo do PL, evitando disputas internas que dividam o eleitorado antes da eleição.
Com informações de Atitude Tocantins
