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Mudança de foco da Nvidia para inteligência artificial provoca insatisfação entre gamers

Durante três décadas, a Nvidia foi amplamente associada à inovação no mercado de jogos eletrônicos. Com a expansão da inteligência artificial (IA), parte desse público passou a perceber que a companhia deslocou sua atenção para outros segmentos. A avaliação é reforçada pelos resultados recentes: a empresa se tornou a mais valiosa do mundo ao atender à alta demanda por chips destinados a IA.

O analista Stacy Rasgon, da Bernstein Research, declarou à CNBC que o setor de jogos deixou de ser o motor principal da estratégia corporativa. Em 1999, a fabricante lançou a GeForce 256, considerada a primeira GPU moderna, investindo em gráficos avançados e altas taxas de quadros. Na época, a iniciativa quase levou a companhia à falência, mas a adoção pelos jogadores permitiu sua recuperação.

Hoje, a maior parcela da receita vem de data centers e computação avançada. Em resposta, a Nvidia passou a priorizar arquiteturas mais lucrativas, como Hopper e Blackwell. Nos últimos três anos, a margem operacional média do segmento de computação e redes foi de 69%, enquanto o segmento de gráficos para consumidores registrou cerca de 40%.

Greg Miller, cofundador do podcast Kinda Funny Games Daily, afirmou compreender a mudança, embora a considere dolorosa, observando que os jogadores foram responsáveis pela trajetória inicial da empresa. Analistas apontam que 2026 pode ser o primeiro ano, em três décadas, sem o lançamento de uma nova geração da linha GeForce para consumidores.

A empresa informou que os gamers continuam “extremamente importantes” e destacou a apresentação da série RTX 50 em janeiro de 2025, durante a CES. Para alguns jogadores, a possível pausa pode reduzir custos. Tim Gettys, também do Kinda Funny Games, comentou que a frequência menor de lançamentos facilita acompanhar as atualizações de hardware.

A base tecnológica que sustenta a liderança atual em IA remonta a 2006, com o lançamento do CUDA, permitindo o uso de GPUs para computação geral. Em 2012, a relevância aumentou após o sistema de aprendizado profundo AlexNet superar concorrentes em um concurso de reconhecimento de imagens. A guinada estratégica ganhou força em 2020, quando a Nvidia adquiriu a Mellanox Technologies por US$ 7 bilhões (R$ 34,8 bilhões), reforçando a atuação em alto desempenho.

Desde então, a companhia investe em GPUs de ponta e sistemas completos, como a plataforma Vera Rubin. Analistas estimam que uma única GPU Blackwell pode custar até US$ 40 mil (R$ 199,2 mil), enquanto conjuntos completos chegam a US$ 4 milhões (R$ 19,9 milhões). Em comparação, as placas da série RTX 50 variam de US$ 299 a US$ 1.999 (R$ 1,4 mil a R$ 9,9 mil).

Mesmo no segmento de consumo, os preços permanecem elevados. Nos picos das criptomoedas em 2018 e 2021, GPUs chegaram a triplicar o valor de tabela. Atualmente, modelos como a RTX 5090 ainda podem custar até o dobro do preço sugerido.

A escassez de memória contribui para o cenário. Relatórios indicam que a Nvidia pode reduzir em até 40% a produção de GPUs gamer devido à falta de DRAM, componente essencial nesses produtos. A consultoria Gartner projeta aumento de 17% nos preços de PCs em 2026 e queda de 10,4% nas vendas, previsão que preocupa consumidores. Caso o segmento de entrada desapareça até 2028, como também projeta a Gartner, a demanda por GPUs mais baratas deve recuar. Rasgon avalia que a indústria tem priorizado a computação de IA para cada unidade de memória disponível.

GPUs avançadas utilizam memória HBM, que requer maiores recursos de produção e aprofunda a escassez para o mercado de consumo. O impacto da tecnologia também aparece em novas soluções. Durante a conferência GTC, o CEO Jensen Huang apresentou o DLSS 5, que emprega IA para aprimorar desempenho gráfico. Parte da comunidade expressou receio de que a IA generativa altere a estética original dos jogos. Miller disse que considera videogames uma forma de arte e deseja preservar a identidade dos criadores. Gettys, que elogiava versões anteriores do DLSS, afirmou que a inclusão de IA generativa o preocupa quanto ao futuro de títulos possivelmente produzidos integralmente por algoritmos.

A Nvidia respondeu que suas ferramentas buscam apoiar desenvolvedores em vez de substituí-los e reforçou que jogos continuam sendo uma manifestação artística. Huang rebateu críticas segundo as quais a tecnologia tornaria os títulos homogêneos, classificando tais avaliações como equivocadas.

No campo dos serviços, a empresa mantém presença por meio do GeForce NOW, que permite jogar por streaming mediante GPUs instaladas em data centers. Miller avaliou que o modelo funciona bem e Gettys considerou a plataforma a melhor disponível no mercado. A principal concorrente é a AMD, com a linha Radeon, mas analistas observam que ambas enfrentam as mesmas dificuldades de acesso à memória. Rasgon comentou que, se a Nvidia encontra barreiras nesse suprimento, a rival também enfrentará.

Gettys concluiu que, apesar da concorrência, a preferência entre jogadores de PC segue clara: quem joga nessa plataforma tende a optar por placas da Nvidia.

Com informações de Olhar Digital

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