A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira (17/4) revisão da estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, passando de expansão de 1,8% para 2%. A projeção para o desempenho do setor industrial também subiu, de 1,1% para 1,6%.
Segundo a entidade, o ajuste resulta principalmente do resultado mais forte da indústria extrativa nos primeiros meses do ano, marcado por maior produção de petróleo e minério de ferro, da revisão positiva para a safra agrícola e do avanço observado no segmento de serviços.
A CNI avalia que a atividade segue desequilibrada. O consumo cresce amparado por estímulos fiscais e aumento de renda, mas os investimentos não acompanham na mesma proporção. Para 2026, a entidade prevê alta de 2% no consumo das famílias e elevação de apenas 0,6% na formação bruta de capital fixo, ritmo inferior aos 2,9% registrados no ano anterior, reflexo de juros elevados e maior endividamento empresarial.
O economista da CNI, Mário Sérgio Telles, atribui a revisão a três fatores: desempenho acima do previsto da indústria extrativa, revisão contínua – antes negativa – para a safra agrícola e melhor resultado do setor de serviços, sensível à expansão fiscal.
Dentro da indústria, o ramo extrativo deve voltar a liderar, com crescimento robusto e menor exposição aos juros, apoiado também pela valorização internacional do petróleo. Já a indústria de transformação continua afetada por custos financeiros altos, aumento de importações e demanda enfraquecida, o que levou à redução da estimativa de desempenho para esse segmento. Na construção civil, apesar dos estímulos recentes e de um mercado imobiliário aquecido no fim de 2025, a taxa de juros ainda elevada tende a limitar a expansão.
No setor de serviços, a projeção foi ajustada para cima, sustentada pelo aumento da renda, maior gasto público e medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, embora o endividamento das famílias possa conter parte do avanço. Na agropecuária, a melhor perspectiva para a colheita e o desempenho da pecuária reverteram a expectativa anterior de estagnação.
A entidade aponta que a inflação de serviços e a piora das expectativas de preços devem retardar o processo de redução dos juros. A taxa Selic é estimada em 12,75% ao fim de 2026; atualmente está em 14,74% ao ano. Nesse cenário, o crédito tende a crescer de forma mais moderada e a atividade econômica deve perder fôlego ao longo do período.
Para as contas públicas, a CNI projeta aumento real dos gastos, impulsionado por transferências de renda. A arrecadação deve avançar, mas não o suficiente para eliminar o déficit. A expectativa é de que o setor público encerre 2026 no vermelho, com a dívida podendo superar 80% do PIB.
Com informações de Metrópoles
