O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (7) que pretende trabalhar em conjunto com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário para impedir que o “jogo do tigrinho” e outras modalidades de apostas on-line provoquem vício e endividamento dentro dos lares brasileiros. A declaração foi feita em pronunciamento alusivo ao Dia Internacional da Mulher.
Lula descreveu o vício em apostas como um problema que atinge principalmente os homens, mas ressaltou que o prejuízo financeiro recai sobre as mulheres, pois, segundo ele, valores destinados à comida, ao aluguel e à educação dos filhos desaparecem nas telas dos celulares. O presidente sustentou que não vê sentido em permitir que esses jogos permaneçam acessíveis nas residências e disse que buscará frear a expansão dos cassinos digitais para evitar o endividamento das famílias.
As apostas on-line foram liberadas no país durante o governo de Michel Temer, mas somente na atual gestão passaram a ser regulamentadas e a recolher tributos sobre seus ganhos.
Ao iniciar o pronunciamento, Lula abordou a violência contra as mulheres e citou que, a cada seis minutos, uma mulher é assassinada no Brasil. Ele mencionou o Pacto Nacional contra o Feminicídio, assinado em fevereiro, e um mutirão conduzido pelo Ministério da Justiça, em parceria com os estados, que resultou na prisão de mais de 2 mil agressores. O presidente acrescentou que outras operações serão realizadas.
Sem apresentar avanços concretos na área da segurança feminina, Lula listou programas sociais que, segundo ele, beneficiam principalmente as mulheres, como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além das iniciativas Pé-de-Meia, Gás do Povo, Luz do Povo e a distribuição gratuita de absorventes.
O chefe do Executivo retomou ainda a defesa do fim da escala 6×1, argumentando que muitas mulheres enfrentam dupla jornada no trabalho e em casa. Na semana anterior, entretanto, ele havia sinalizado que a mudança precisaria ser negociada entre indústria, demais setores produtivos e sindicatos. Conforme análise citada pela Gazeta do Povo, o pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), avalia que a medida pode ter impacto econômico comparável à recessão de 2014 a 2016.
Lula também criticou o discurso de ódio nas redes sociais. Na avaliação do presidente, esse comportamento é violento, difamatório, incentiva agressões contra mulheres e meninas e afasta lideranças femininas da vida pública. A regulamentação das plataformas digitais vem sendo defendida de forma recorrente pelo governo; em maio do ano passado, durante viagem à China, Lula solicitou o envio de um especialista para auxiliar o Brasil nessa pauta.
Com informações de Gazeta do Povo
