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Estudo projeta semaglutida genérica por menos de R$ 16 mensais

Pesquisadores da University of Liverpool divulgaram nesta semana uma análise em formato de preprint que indica a possibilidade de comercializar versões genéricas das canetas Ozempic e Wegovy por menos de US$ 3 (R$ 15,82) por mês. Segundo o estudo, o custo anual da semaglutida injetável, princípio ativo dos dois medicamentos, poderia variar entre US$ 28 e US$ 140 (R$ 147,62 a R$ 738,12).

Os valores estimados contrastam com os preços praticados hoje. Nos Estados Unidos, o preço de tabela definido pela Novo Nordisk é de US$ 1.027,51 (R$ 5.389,29) por ano para o Ozempic e de US$ 1.349 (R$ 7.075,50) para o Wegovy, com previsão de redução para US$ 675 (R$ 3.540,37) a partir de 1º de janeiro. Mesmo com descontos, a venda direta do Wegovy chega a US$ 349 (R$ 1.830,50) por mês, enquanto no Brasil o tratamento mensal com Ozempic pode alcançar R$ 1.299,70 e o Wegovy, R$ 2.504,02.

Com o vencimento de patentes, versões genéricas devem surgir ainda neste ano em mercados como Índia, China, Canadá e Brasil. Analistas projetam que a concorrência pode reduzir o custo mensal para cerca de US$ 15 (R$ 80) em algumas regiões, e os autores do estudo avaliam que os preços poderiam cair ainda mais.

Para formular as estimativas, a equipe analisou registros de remessas de 2024 e 2025 de insumos usados na produção da semaglutida. O cálculo incluiu custos de fabricação, embalagem, impostos e margens de lucro, metodologia semelhante à empregada por outro grupo que, em 2024, concluiu ser possível produzir o Ozempic com lucro por menos de US$ 5 (R$ 26,36) por mês.

Conforme o levantamento, o ingrediente ativo representa fração mínima do custo total das formulações injetáveis, variando entre US$ 0,01 e US$ 0,12 (R$ 0,05 a R$ 0,63) por dose. As canetas de aplicação custariam entre US$ 0,30 e US$ 2,50 (R$ 1,57 a R$ 13,11) por unidade. Já as versões orais teriam custos mais altos, entre US$ 186 e US$ 380 (R$ 980,64 a R$ 2.003,46) ao ano.

O pesquisador visitante sênior Andrew Hill, que participou da condução do estudo, considera que preços menores possibilitariam alcance significativamente maior do tratamento, permitindo que países tratem populações inteiras. Ele afirmou que os resultados foram divulgados rapidamente para ampliar a visibilidade das estimativas enquanto autoridades de saúde negociam valores para os genéricos.

Além dos dez países onde a proteção de patente da semaglutida expira neste ano, os autores identificaram outros 150 sem registro de patente, totalizando cerca de 160 países que concentram 69% dos pacientes com diabetes tipo 2 e 84% das pessoas com obesidade no mundo.

No Brasil, a patente da semaglutida — presente em Ozempic, Wegovy e Rybelsus — termina em 20 de março. Após duas décadas de exclusividade da Novo Nordisk, outras empresas poderão desenvolver e vender suas próprias versões, desde que obtenham aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência avalia dados de qualidade, segurança e eficácia para confirmar a equivalência com o medicamento de referência. No ano passado, o Ministério da Saúde solicitou prioridade na análise dessas formulações, e laboratórios já haviam apresentado documentos antes do fim da patente, embora a comercialização só possa ocorrer após o término do período de exclusividade.

Com informações de Olhar Digital

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