Neste domingo (22), manifestações organizadas pela comunidade ucraniana-brasileira em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro lembram os quatro anos da invasão russa que começou em 24 de fevereiro de 2022. Os organizadores afirmam que o principal objetivo é manter a crise humanitária em evidência entre a população e as autoridades brasileiras, num momento em que doações internacionais caem e o conflito se torna menos presente no noticiário.
Voluntários relatam a chamada “fadiga do doador”, fenômeno em que parte do público passa a acreditar que o problema já foi resolvido ou que contribuições anteriores foram suficientes. Essa percepção reduziu significativamente o envio de alimentos, roupas e itens de higiene, dificultando o trabalho de ajuda humanitária em comparação com o início da guerra, em 2022.
Segundo os grupos que atuam no Brasil, a maior necessidade atual é de geradores de energia portáteis. Com ataques russos mais intensos à rede elétrica ucraniana, apagões superiores a 18 horas ocorrem sob temperaturas de ‑15 °C, o que torna esses equipamentos essenciais para manter aquecedores residenciais e garantir o funcionamento de hospitais. Especialistas sugerem que as doações sejam preferencialmente em dinheiro, reduzindo custos de transporte internacional.
Desde 2022, brasileiros também têm participado diretamente dos combates. Estimativas indicam que pelo menos 23 cidadãos do país morreram no conflito. A embaixada da Ucrânia não realiza recrutamento oficial; os interessados viajam por conta própria, motivados por razões humanitárias ou experiência militar, e acabam integrando forças de ambos os lados da fronteira.
A mobilização deste domingo inclui ainda uma pauta política. Integrantes da comunidade ucraniana no Brasil buscam reagir a iniciativas de Moscou para normalizar a invasão e ampliar influência na América Latina. Analistas destacam que a recente aproximação entre Rússia e governo brasileiro é vista pelo Kremlin como estratégica para manter presença regional depois da perda de espaço na Venezuela.
Com informações de Gazeta do Povo
