O jornalista mineiro Leonardo Michel Rocha Estopa, conhecido como Leonardo Stoppa, de 46 anos, anunciou o fim de sua atuação como influenciador de esquerda e a criação de um novo canal alinhado à direita. Com quase meio milhão de seguidores no YouTube, ele declarou que a mudança ocorreu depois de ficar meses sem contato com a filha de sete anos em meio a um processo de separação.
Segundo Stoppa, o afastamento se enquadra em casos de alienação parental, tema regulado pela Lei 12.318. Ele afirmou que passou a repensar suas convicções quando viu parlamentares do PT e do PSOL, além de alguns nomes da direita, defenderem a revogação dessa legislação. O projeto de lei, apresentado pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Vivi Reis (PSOL-PA), foi aprovado em dezembro de 2025 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e segue em tramitação.
Stoppa relatou que, ao acompanhar grupos de pais na internet, observou relatos de desespero após a aprovação na CCJ, incluindo menções a suicídio. Ele avaliou que a revogação da lei provocaria sofrimento emocional a crianças e genitores e disse ter percebido contradições no espectro político que antes apoiava.
O ex-influenciador declarou ainda que considera a atual legislação a única ferramenta que tenta garantir a convivência entre pais e filhos. Ele afirmou que a esquerda estimularia o uso da Lei Maria da Penha para afastar homens do convívio familiar, o que, em sua visão, poderia aumentar casos de feminicídio ao inviabilizar o diálogo entre os cônjuges.
Em Ponte Nova (MG), onde reside, Stoppa contou que a Justiça autorizou encontros quinzenais e conversas telefônicas com a filha, que mora em Belo Horizonte, a 200 quilômetros de distância. Ele disse que, apesar da decisão, encontra entraves para as ligações e visitas. De acordo com o jornalista, até a oferta de um aparelho telefônico exclusivo para o contato foi recusada.
A ex-esposa preferiu responder por meio das advogadas Edna Teixeira e Talitha Camargo. As defensoras informaram que o convívio está sujeito a condições fixadas judicialmente em razão de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, aplicadas após relatos de violência psicológica, perseguição e intimidação. Elas acrescentaram que o pai pode requerer visitas, desde que os pedidos sejam formalizados e observem as regras impostas pelo juízo.
Stoppa declarou que, depois de participar da caminhada de 240 quilômetros organizada em janeiro pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para pedir liberdade aos presos de 8 de janeiro, a defesa da ex-esposa solicitou que eventuais visitas sejam assistidas por profissional. As advogadas não comentaram esse ponto até o fechamento da reportagem.
Ele explicou que aderiu à caminhada ao se identificar com o sofrimento das famílias dos detidos nos atos de 2023. O jornalista argumentou que parte da população não confia nas urnas eletrônicas e disse ver desproporção entre a comemoração de setores da esquerda pelas prisões e a defesa de direitos humanos a outras pessoas acusadas de crimes graves.
Após anunciar a mudança de posicionamento político, Stoppa relatou ter sido alvo de críticas de antigos seguidores e afirmou que continuará a atuar como influenciador, agora voltado a pautas defendidas pela direita.
Com informações de Gazeta do Povo
