Com a saída de seus principais “puxadores” de votos em São Paulo, o PL reformulou a estratégia para a eleição de 2026. Sem Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Ricardo Salles e Guilherme Derrite, a direção nacional decidiu lançar vereadores da capital e deputados estaduais na tentativa de manter a bancada paulista na Câmara dos Deputados.
Perdas acumuladas
Em 2022, Zambelli e Eduardo lideraram a votação do partido no estado. Zambelli somou quase 950 mil votos, enquanto Eduardo contabilizou 741.701. Eles não estarão na próxima corrida eleitoral: Zambelli tornou-se inelegível, está presa na Itália e renunciou ao mandato em 14 de dezembro de 2025; Eduardo permanece nos Estados Unidos, teve o mandato cassado pela Mesa da Câmara, mas manteve a elegibilidade e já sinalizou que não voltará ao país.
A lista de baixas inclui ainda Ricardo Salles, agora no Novo, e Guilherme Derrite, filiado ao PP e cotado para concorrer ao Senado. Juntos, os quatro alcançaram 2,56 milhões de votos em 2022, cerca de 48% do total obtido pelo PL em São Paulo.
Novo foco: base municipal
Para compensar o desfalque, o partido mira seus sete vereadores na capital. Ao menos quatro devem disputar vaga na Câmara federal, entre eles Lucas Pavanato e Zoe Martinez, ambos em primeiro mandato. A avaliação interna é que votos pulverizados em nichos específicos e o engajamento nas redes sociais podem ajudar a alcançar o quociente eleitoral.
O advogado Roosevelt Arraes, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), lembra que o sistema proporcional favorece candidatos com grande votação: “Sem puxadores, o partido passa a depender de uma disputa intensa entre nomes medianos, em que cada voto conta”.
Outros nomes na mesa
Além dos vereadores, há possibilidade de lançamento dos deputados estaduais Major Mecca e Gil Diniz. O partido também perdeu Tiririca, que se filiou ao PSD e transferiu o domicílio eleitoral para o Ceará, e estuda a candidatura de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, derrotado na eleição municipal de Registro em 2024.
Imagem: Beto Barata
Projetos para 2026
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pretende elevar a bancada a 120 deputados e 20 senadores — hoje são 87 e 15, respectivamente. Ele cogita retornar à Câmara. Para impulsionar as candidaturas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) é apontado como provável cabeça de chapa presidencial.
Líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB) reconhece que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria o maior puxador, mas afirma que o partido “vai trabalhar com o que tem hoje”.
Fundo partidário em risco
A redução da votação pode afetar o acesso do PL ao fundo partidário e ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), distribuídos de acordo com votos e cadeiras conquistados. Desde 2015, cada eleito precisa obter ao menos 10% do quociente eleitoral, regra que diminuiu o chamado “efeito Tiririca”, mas manteve a importância dos grandes puxadores.
Com informações de Gazeta do Povo
