O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou pesar pela morte do jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, ocorrida no Rio de Janeiro, neste sábado (2/5). O chefe do Executivo destacou, em publicação nas redes sociais, que o profissional, embora perseguido e preso durante a ditadura militar, manteve a defesa da democracia e da liberdade de imprensa e, segundo Lula, nunca se calou.
Na mensagem, o presidente afirmou ainda que Raimundo foi o primeiro a expor, em âmbito nacional, o significado da luta sindical e pela liberdade empreendida no ABC paulista no fim da década de 1970, antes mesmo da cobertura realizada pela chamada grande imprensa. Lula encerrou a nota enviando condolências à família e aos amigos do jornalista.
Nascido em Pernambuco, Raimundo Pereira fundou, em 1975, o jornal Movimento, criado para denunciar e combater o regime autoritário então vigente. A primeira edição foi censurada, e a repressão se repetiu em vários números seguintes, mas o periódico circulou até 1981. Sustentado por financiamento coletivo de jornalistas e sem proprietários, o veículo tornou-se referência na imprensa alternativa.
O jornalista também atuou em O Estado de S. Paulo e nas revistas Realidade e Veja. Nesta última, integrou a equipe de lançamento da publicação e participou do dossiê que revelou casos de tortura no governo Médici, em 1969. Entre 1972 e 1975, foi editor do jornal Opinião, de Fernando Gasparian.
A trajetória profissional incluiu o projeto Retratos do Brasil, iniciado em 1988 com textos de análise sobre o país e posteriormente transformado em livro. Em 1997, fundou a Editora Manifesto.
Embora pernambucano e falecido no Rio de Janeiro, Raimundo passou grande parte da vida em São Paulo. A família mudou-se para o interior paulista quando ele tinha 3 anos. Aos 19, ingressou no curso de engenharia do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, de onde foi expulso após perseguição relacionada a um jornal estudantil.
Com informações de Metrópoles
