Investigados pela Polícia Federal no caso Master, entre eles o empresário Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, disputam quem apresentará primeiro informações inéditas sobre políticos e autoridades para obter redução de penas e de multas.
O desenvolvimento das negociações lembra o chamado “Dilema do Prisioneiro” da Teoria dos Jogos: vários envolvidos tratam ao mesmo tempo com Ministério Público e Polícia Federal, e quem oferecer provas robustas antes dos demais tende a conquistar os benefícios mais amplos. Caso demore, perde valor porque outra pessoa pode relatar o mesmo fato primeiro.
Nesse contexto, a hesitação de Daniel Vorcaro é vista como arriscada. Considerado o investigado com maior quantidade de dados, ele ainda discute detalhes do acordo depois de semanas sem conclusão. A demora abre margem para que figuras como Paulo Henrique Costa assumam o protagonismo, reduzindo a utilidade do acervo informativo atribuído a Vorcaro caso parceiros antecipem suas revelações.
A estratégia de multiplicar acordos interessa aos investigadores porque diminui a chance de proteção a autoridades influentes. Sem confiança mútua, cada colaborador tende a relatar tudo o que sabe para não ser surpreendido por terceiros, criando pressão recíproca que ajuda a Polícia Federal a reconstruir o esquema de forma mais completa.
Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e Supremo Tribunal Federal atuam como árbitros desse processo. O ministro André Mendonça, relator no STF, já sinalizou que apenas relatos acompanhados de provas materiais serão homologados, evitando tentativas de enganar a Justiça em troca de liberdade.
Há possibilidade de investigados ficarem sem vantagem por não trazerem dados inéditos. Especialistas avaliam que Fabiano Zettel pode enfrentar esse cenário, pois parte do que ele conhece teria sido descoberta em fases anteriores da operação Compliance Zero ou pode ser apresentada por outros colaboradores. Para fechar um acordo, o investigado precisa, obrigatoriamente, oferecer informações ainda desconhecidas dos investigadores.
Com informações de Gazeta do Povo
