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Estudo aponta semelhanças entre cérebros de pinípedes e humanos na capacidade de controle vocal

Um artigo divulgado na revista Science apresenta evidências de que adaptações neurológicas desenvolvidas por focas e leões-marinhos para suportar mergulhos profundos compartilham os mesmos princípios de controle vocal voluntário encontrados em seres humanos. Segundo os autores, a necessidade desses mamíferos marinhos de administrar a respiração em longos períodos submersos levou à formação de circuitos cerebrais mais precisos, capazes de comandar conscientemente os músculos da laringe.

Os pesquisadores descrevem que, ao retornar ao ambiente aquático, os pinípedes passaram a exigir coordenação milimétrica entre o sistema respiratório e a laringe para evitar a entrada de água nos pulmões. Esse processo, inicialmente reflexo, migrou para o monitoramento cortical ativo, o que permitiu fechar as vias aéreas de forma deliberada, controlar o fluxo de ar e, consequentemente, produzir sons elaborados.

O estudo detalha três etapas principais dessa trajetória evolutiva: primeiro, a adaptação aquática impôs controle rígido da respiração; em seguida, formou-se um atalho neural entre o córtex motor e a musculatura laringal; por fim, o mesmo arranjo serviu de base biológica para a fala complexa humana. Os autores acrescentam que o córtex motor laringal desses animais apresenta ligação direta com neurônios responsáveis pela expiração, estrutura considerada fundamental para modular o ar de forma semelhante à produção de palavras ou cantos nos humanos.

Em comparação a muitos primatas terrestres, nos quais as vocalizações permanecem majoritariamente emocionais e o aprendizado de novos sons é restrito, focas demonstram alto grau de imitação sonora. A pesquisa aponta que, em espécies como cães ou chimpanzés, a conexão entre centros emocionais e laringe é indireta, o que limita a emissão consciente de padrões sonoros.

Os autores consideram que a descoberta de um atalho neural em mamíferos marinhos amplia a compreensão sobre a origem do controle vocal humano, evidenciando que soluções motoras semelhantes podem ter surgido em ambientes distintos. O próximo passo anunciado pela equipe é investigar de que modo esses circuitos se expandiram para sustentar estruturas mais complexas de gramática e sintaxe.

Com informações de Olhar Digital

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