Pesquisadores identificaram no camundongo espinhoso-dourado, roedor nativo de desertos rochosos do Oriente Médio, um conjunto de características que pode esclarecer mecanismos de envelhecimento saudável. A espécie vive até cinco anos na natureza, período muito superior aos cerca de nove meses geralmente alcançados por outros camundongos selvagens, e mantém agilidade e funções cognitivas preservadas durante quase toda a vida.
Os resultados constam do artigo “Resistores imunometabólicos do envelhecimento em camundongos espinhosos dourados de longa vida”, assinado, entre outros autores, por Hee-Hoon Kim e Vishwa Deep Dixit e publicado na revista Science Advances. A equipe comparou indivíduos jovens e idosos da espécie a outros modelos de camundongo e registrou diferenças celulares, imunológicas e comportamentais.
O estudo mostrou que o espinhoso-dourado conserva a capacidade de regenerar a pele sem formação de cicatrizes mesmo em idade avançada, sugerindo processos de reparo tecidual que não se deterioram com o tempo. Análises também revelaram que o timo, órgão responsável pela produção de células do sistema imune, permanece funcionalmente intacto em fases tardias da vida, ao contrário do que ocorre em humanos e em outros vertebrados.
No campo cognitivo, exemplares idosos não apresentaram o declínio em memória e aprendizado visto em outros roedores. Esses achados, aliados à menor inflamação crônica associada ao envelhecimento e à expressão elevada de proteínas ligadas à longevidade, indicam que múltiplas vias biológicas se mantêm ativas por mais tempo nesse animal.
Entre essas proteínas destaca-se a clusterina, identificada em níveis altos no tecido adiposo de animais mais velhos. A substância atua na remoção de proteínas defeituosas e na redução de seus efeitos tóxicos. Em testes, camundongos de laboratório que receberam clusterina exibiram menor declínio motor, órgãos mais saudáveis e redução do processo inflamatório crônico relacionado à idade. Células brancas humanas expostas ao composto demonstraram respostas anti-inflamatórias semelhantes.
O trabalho aponta ainda que a espécie desenvolveu adaptações evolutivas — atividade diurna, resistência a toxinas, economia de energia em períodos de escassez e evasão de predadores noturnos — que favorecem a sobrevivência prolongada, permitindo a seleção de mecanismos biológicos associados a um envelhecimento saudável.
Com informações de Olhar Digital
