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Empresa ligada ao “Careca do INSS” repassou R$ 700 mil ao escritório de ministra do STM

Relatório de Inteligência Financeira encaminhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à CPMI do INSS aponta que a ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A transferiu R$ 700 mil ao escritório de advocacia da atual ministra do Superior Tribunal Militar, Verônica Abdalla Sterman. O documento analisou movimentações realizadas entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período anterior à posse da advogada no tribunal.

De acordo com o Coaf, o valor foi quitado em parcela única a partir de conta mantida pela empresa no Banco do Brasil, agência de São Caetano do Sul (SP). Nos quatro meses avaliados, essa conta registrou movimentação financeira de aproximadamente R$ 266,6 milhões. Não há registro de processos judiciais em que Verônica Sterman tenha representado a ACX ITC ou outras companhias ligadas ao grupo.

Procurada, a ministra informou que os R$ 700 mil correspondem à elaboração de três pareceres jurídicos sobre questões criminais relacionadas às atividades da contratante. Ela declarou não ter conhecimento de qualquer vínculo da ACX ITC com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, nem manter relação com ele.

A ACX ITC também enviou R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Nefi Cordeiro, que, segundo ele, prestou serviços advocatícios após deixar a Corte. Assim como no caso de Verônica, não foram encontrados processos judiciais envolvendo o ex-magistrado e a empresa.

Fundada em dezembro de 2021, a ACX ITC é registrada como companhia de tecnologia e investimentos financeiros em São Paulo, com capital social de R$ 101,2 milhões. Os registros apontam Ericsson de Azevedo e Erika Nogueira Marques da Costa como sócios originais; ambos receberam Auxílio Emergencial durante a pandemia, e Erika também foi beneficiária do Bolsa Família até outubro de 2021, quando já constava como detentora de metade do capital da firma, superior a R$ 50 milhões. Posteriormente, ela deixou a sociedade e foi substituída por outro cotista, enquanto Ericsson permaneceu.

Investigação da Polícia Federal indica que a ACX ITC figurou entre as companhias usadas pelo “Careca do INSS” para dispersar recursos. A CPMI do INSS quebrou o sigilo fiscal da empresa após identificar repasses de pelo menos R$ 4,4 milhões provenientes da Arpar Participações e Empreendimentos, apontada como empresa de passagem controlada pelo empresário para fragmentar fluxos financeiros.

A presença digital da ACX ITC restringe-se a um perfil no Instagram, cuja última publicação ocorreu em abril de 2023; o site oficial está fora do ar. Há poucos processos judiciais contra a companhia. Um deles foi movido pela advogada Fernanda Teixeira de Souza, de Florianópolis (SC), que afirma ter aplicado R$ 780 mil em 2022 e, a partir de fevereiro de 2023, perdeu acesso à plataforma e aos valores investidos. Ela relata que a ACX ITC integrava o RCX Group, investigado pela CPI das Pirâmides Financeiras da Câmara dos Deputados em 2023, quando foi solicitado o indiciamento de pessoas ligadas ao conglomerado. A defesa alega que investidores teriam sido atraídos por promessas de dividendos e pelo estilo de vida ostensivo dos sócios. A reportagem não localizou representantes do RCX Group.

Com informações de Metrópoles

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