Um estudo publicado na revista Molecular Biology and Evolution mostra que a população de ursos pardos que vive nos Apeninos, na Itália, passou por um processo de autodomesticação. A convivência prolongada com vilarejos e fazendas levou esses animais a desenvolverem um temperamento mais calmo, considerado essencial para sobreviver em áreas onde a atividade humana é intensa.
Como a mudança ocorreu
Segundo os pesquisadores, três fatores principais explicam a transformação:
Isolamento geográfico: os ursos ficaram restritos a uma cordilheira cercada por presença humana constante.
Pressão seletiva: indivíduos agressivos eram evitados ou eliminados, enquanto exemplares menos reativos conseguiram acessar alimentos próximos a pomares e plantações.
Novo comportamento: consolidou-se uma linhagem que evita confrontos e tolera a presença de pessoas a curta distância.
Sinais biológicos da autodomesticação
O trabalho identificou redução na produção de hormônios relacionados ao estresse e à agressividade, além de alterações sutis na morfologia craniana associadas ao temperamento. A pesquisa também registrou aumento da tolerância social entre membros da mesma espécie.
Imagem: inteligência artificial
Diferenças em relação a populações isoladas
Em comparação com ursos que vivem em florestas densas e remotas, os animais dos Apeninos:
- reagem a humanos com indiferença ou cautela, em vez de atacar ou fugir imediatamente;
- frequentam bordas de vilas e áreas agrícolas, não apenas zonas selvagens;
- apresentam nível de agressividade territorial significativamente menor.
Implicações para a conservação
Apesar da docilidade, os ursos pardos continuam sendo grandes predadores e exigem políticas de manejo que garantam segurança para pessoas e animais. Para os cientistas, compreender as bases genéticas dessa adaptação pode orientar ações de preservação em um mundo cada vez mais moldado pela atividade humana.
Com informações de Olhar Digital
