O Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, viu o saldo de seus Certificados de Depósito Bancário (CDBs) aumentar 1.130% entre 2017 e 2025, passando de R$ 694 milhões para R$ 8,5 bilhões. O avanço, impulsionado por remunerações que chegaram a 140% do CDI para atrair investidores, é um dos focos da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na terça-feira (23/6).
Segundo demonstrativos financeiros da instituição analisados pela PF, o aumento das captações ocorreu apesar de a capacidade patrimonial do banco não acompanhar o ritmo de crescimento. A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, inclusão de informações falsas em demonstrativos contábeis e concessão de operações de crédito proibidas.
A Justiça expediu mandados de busca e apreensão, autorizou a quebra de sigilos fiscais de 18 alvos e determinou o bloqueio de bens de Edir Macedo. Os investigadores apontam que o Digimais teria utilizado o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como mecanismo para cobrir eventuais prejuízos, em esquema comparado ao do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Para a PF, houve transferência deliberada de risco: os gestores captavam recursos bilionários do público para sustentar uma operação deficitária, repassando possíveis perdas ao sistema de proteção do FGC. O órgão policial registra que a estratégia permitiu ocultar passivos descobertos e transferir o risco ao sistema financeiro.
Em 2025, o custo médio de captação por meio de plataformas de distribuição atingiu 115,7% do CDI, e alguns títulos ofereceram rentabilidade de até 140% do CDI. Paralelamente à expansão das captações, o banco registrou lucros que agora são questionados pelos investigadores.
Documento produzido pelo próprio Digimais lista seis instituições como parceiras na distribuição dos CDBs: XP Investimentos, BTG Pactual, Nu Invest, Itaú Corretora, Inter e Ágora.
Com informações de Metrópoles
