Um registro simples da rotina de ensacamento de carvão, gravado no interior de Almas (TO), alcançou mais de 13,7 milhões de visualizações e expôs a história da internacionalista Jéssika Borges, de 33 anos. Natural do município, ela viveu 14 anos em Portugal, onde concluiu formação em Relações Internacionais e Ciências Policiais, mas decidiu retornar ao Brasil após receber diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico e fibromialgia, optando por ficar próxima da família.
Jéssika é a mais velha de cinco irmãos: Orcini, 30 anos; Waleria, 23; Bebel, 11; e Miguel, 10, que convive com síndrome de Down e autismo nível 3. O pai, Narcizo Marcos, 58 anos, trabalha como autônomo. Apesar da separação dos pais, a jovem relata convivência harmoniosa entre todos, incluindo a madrasta, e afirma que a rede familiar foi decisiva nos momentos mais críticos.
Além dos desafios de saúde, ela enfrentou a morte do noivo, que sofreu acidente de carro ao retornar ao Tocantins depois de viajar para visitar os pais e negociar a compra de um veículo. O companheiro permaneceu internado por meses, mas não resistiu aos ferimentos, encerrando os planos do casal de forma repentina.
Diante do luto, a tocantinense passou a acompanhar o pai em diversas atividades e resolveu auxiliá-lo no trabalho de produção de carvão. O vídeo que se tornaria viral foi gravado sem planejamento, apenas para compartilhar a rotina com amigos e moradores da cidade. Na época, seu perfil reunia cerca de 3 mil seguidores.
Publicada há um ano, a gravação ultrapassou rapidamente a marca de milhões de visualizações, ampliou o número de seguidores e abriu oportunidades profissionais. Apesar da repercussão, Jéssika considera que a principal mudança proporcionada pela viralização foi a chance de permanecer próxima das pessoas que a sustentaram durante as fases mais difíceis, reforçando a importância dos vínculos familiares.
Com informações de G1
