A eleição presidencial marcada para 2026 no Brasil enfrenta a possibilidade de um novo recorde de abstenção. Se a tendência observada nos últimos cinco pleitos se mantiver, a ausência de eleitores pode ultrapassar 22% no primeiro turno, o que significaria mais de 35 milhões de pessoas fora das urnas em um universo de 158 milhões de cidadãos aptos a votar.
Desde 2006 o índice de não comparecimento cresce de forma contínua. Naquele ano, 16,75% dos eleitores deixaram de votar; em 2022 o percentual subiu para 20,95%. Em termos absolutos, o total de ausentes saltou de 21 milhões para 33 milhões nesse intervalo, consolidando-se como fator relevante para o resultado das disputas presidenciais.
Com base nessa trajetória, analistas projetam que o contingente de faltosos em 2026 possa superar 35 milhões. As campanhas ainda não apresentam estratégias claras para reconquistar esse eleitorado, que, segundo especialistas, se mostra cada vez mais distante do processo político.
A expectativa de que fortes embates eleitorais estimulem a participação não se confirmou nas últimas disputas. Mesmo com a polarização entre Lula e Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, o comparecimento não cresceu. Parte dos eleitores moderados, de acordo com avaliações citadas no levantamento, demonstra cansaço diante do confronto permanente e prefere se ausentar em vez de optar por candidaturas tidas como insatisfatórias.
A desmotivação também é atribuída a fatores históricos e geracionais. Décadas marcadas por crises, escândalos e dois processos de impeachment criaram distanciamento em relação à política. Ao mesmo tempo, os jovens veem o voto como um ato pragmático e sentem menos constrangimento em faltar, diferentemente das gerações que participaram da redemocratização e tratavam o voto como dever cívico inquestionável.
Além do desinteresse, há obstáculos práticos. Muitos eleitores residem longe do domicílio registrado e não transferiram o título. A multa de R$ 3,50 pelo não comparecimento é considerada baixa e não compensa os custos de deslocamento nem o esforço logístico para votar, contribuindo para a manutenção do alto índice de ausentes.
Com informações de Gazeta do Povo
