Pesquisadores acabam de confirmar a existência da lula gigante em áreas abissais próximas à Austrália por meio da análise de DNA ambiental (eDNA), dispensando capturas físicas e recorrendo a tecnologias de ponta.
De acordo com um estudo detalhado publicado pelo portal ScienceDaily, a equipe coletou amostras de água em desfiladeiros subaquáticos e identificou fragmentos genéticos que indicam a presença do lendário cefalópode. O método tornou possível mapear o habitat da espécie em locais onde a observação direta é inviável devido à escuridão permanente e à pressão extrema.
O procedimento incluiu a captura de água nas regiões profundas, a filtragem do material para extração de eDNA, o sequenciamento genético em laboratório e a produção de mapas térmicos e biológicos baseados na concentração desses fragmentos.
A técnica reduz custos operacionais de expedições, evita interferência no comportamento animal e amplia a capacidade de detectar espécies raras que evitam luzes artificiais. Além disso, cria um banco de dados genético de longo prazo e permite o monitoramento em tempo real da saúde ecológica de santuários marinhos.
As correntes que circundam o continente australiano formam zonas ricas em nutrientes, atraindo ampla variedade de fauna. Os desfiladeiros funcionam como santuários onde pressão e temperatura favorecem o desenvolvimento de cefalópodes gigantes e outros predadores. A topografia irregular oferece refúgio contra ameaças, permitindo que a lula gigante prospere de forma isolada.
Entre os fatores ambientais destacados, a baixa temperatura está associada a metabolismo mais lento e maior longevidade; a alta pressão fornece suporte estrutural para corpos de grandes dimensões; e a escuridão total impulsiona a adaptação de olhos altamente sensíveis.
A presença contínua desse superpredador sugere cadeia alimentar equilibrada. O rastro genético encontrado auxilia na estimativa da biomassa ainda não catalogada e reforça a importância de proteger áreas marinhas contra pesca industrial e aquecimento das águas.
O êxito da missão estimula novos investimentos em sensoriamento remoto para criar um inventário genético completo das espécies que habitam os abismos oceânicos. Futuras expedições devem correlacionar variações climáticas com a distribuição da megafauna, em direção a um monitoramento ambiental baseado em dados precisos e em tempo real.
Com informações de Olhar Digital
