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ESA divulga imagens de vales marcianos moldados por enchentes de 3,5 bilhões de anos atrás

A Agência Espacial Europeia (ESA) publicou nesta quarta-feira (13) um conjunto de registros obtidos pela sonda Mars Express que expõe uma região acidentada de Marte esculpida por enchentes catastróficas ocorridas há bilhões de anos.

As imagens destacam Shalbatana Vallis, sistema de canais situado próximo ao equador do planeta. Os dados foram coletados pela High Resolution Stereo Camera (HRSC), instrumento responsável por mapear a superfície marciana em cores e em 3D.

De acordo com a agência, o local apresenta o chamado “terreno caótico”, constituído por blocos rochosos fraturados e desordenados. Um mapa topográfico gerado a partir de medições de outubro de 2024 realça diferenças de altitude na área moldada pelas antigas inundações.

A ESA informa que o terreno caótico pode ter surgido após o derretimento de gelo subterrâneo, processo que teria provocado o colapso da crosta. Em Shalbatana Vallis, essas estruturas aparecem ao lado de vales sinuosos formados por grandes enchentes que cruzaram a região há cerca de 3,5 bilhões de anos.

Pesquisadores estimam que volumes expressivos de água subterrânea emergiram na superfície em uma série de inundações rápidas, escavando canais ainda visíveis. O principal deles mede aproximadamente 10 quilômetros de largura e 500 metros de profundidade. A ESA observa que formações semelhantes são relativamente comuns em Marte e já haviam sido registradas anteriormente pela mesma missão.

As novas observações também revelam diferentes camadas da história geológica marciana. Cientistas avaliam que Shalbatana Vallis pode ter sido mais profunda no passado, antes de ser gradualmente preenchida por sedimentos, cinzas e outros materiais. Depósitos escuros distribuídos pelo vale são interpretados como cinzas vulcânicas redistribuídas pelos ventos. Crateras de impacto, cristas enrugadas e mesas isoladas indicam ciclos repetidos de enchentes, fluxos de lava e erosão ao longo de bilhões de anos.

Regiões como Shalbatana Vallis despertam especial interesse porque preservam indícios de um Marte mais quente e úmido. O canal analisado desemboca em Chryse Planitia, uma das áreas mais baixas do planeta; alguns pesquisadores sugerem que essa planície pode ter abrigado um antigo oceano, segundo a ESA.

Lançada em 2003, a Mars Express continua em operação e figura entre as missões mais longevas já enviadas a Marte. Em mais de duas décadas, a sonda reuniu evidências sobre o passado aquático do planeta, incluindo o mapeamento de minerais formados na presença de água, o estudo de depósitos subterrâneos de gelo e análises que apontam para a possível existência de água líquida sob a calota polar sul.

Com informações de Olhar Digital

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